Grupo do Consultório

1955, óleo sobre tela, 143x178 cm
Museu da Cidade, Lisboa



O nível do retrato é possível traçar um paralelismo entre a obra de Abel Manta e a de Columbano Bordado Pinheiro. Ambos pintaram dezenas de retratos de elementos da burguesia, sobretudo da intelectualidade lisboeta. As formas de ver são outras, é certo. Enquanto o primeiro se revelou um modernista, o outro utilizou modos de ver oitocentistas. Mas os «Teófilo Russel" e «Aquilino Ribeiro» de Manta são os «Viana da Mota» e «Antero de Quental» de Columbano.

     Este paralelismo temático acentuou-se mais a partir do momento em que o mestre beirão pintou o «Grupo do Consultório», ou «A Leitura», em 1955. Em lugar do bulício da cervejaria que Columbano captou em o «Grupo do Leão», Manta preferiu a calma do consultório do Prof. Pulido Valente. Aqui não são os pintores os retratados, à excepção do próprio artista no canto superior direito, mas uma grande diversidade de intelectuais - Lopes Graça, Câmara Reis, Manuel Mendes, Ramada Curto e outros - que habitualmente se reuniam no consultório do ilustre médico para conspirarem contra o regime do auto-proclamado Estado Novo e para cultivarem o prazer das tertúlias.

     E é precisamente num destes momentos que o pintor de Gouveia retratou o grupo. Sob a presidência do anfitrião, destacado pela luz, em bata branca, os restantes retratados seguem atentos as palavras de Aquilino Ribeiro, provavelmente a ler um dos muitos livros que escreveu.

     A narrativa afigura-se mais que evidente, talvez demasiado para esta constituir uma das grandes pinturas de Abel Manta. Todavia não deixa de se revelar um grande documento da "inteligentia" da época.



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