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Tesouros da Biblioteca Geral |
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Bíblia hebraica |
| Manuscrito em pergaminho atribuível à escola de calígrafos
de Lisboa, da segunda metade do século XV, raríssimo (conhecem-se pouco mais de
20 exemplares!), porque a maioria destas bíblias, na Península, foram
confiscadas e queimadas pela Inquisição. Não tem colophon (isto é, o
local onde se inscrevem os dados do local e data) que nos informe da sua data e
do nome do seu autor. Este exemplar tem as páginas iniciais inteiramente
preenchidas com uma escrita micrográfica, de gosto mudéjar, a tinta castanha e
ouro, semelhante a exemplares assinados pelo calígrafo Samuel Isaac de Medina,
datados entre 1469 e 1490, e que se conservam na Palatina de Parma, em
Cincinnati e em Oxford. Faltando-lhe embora algumas características decorativas
típicas da escola lisboeta (tarjas e iluminuras cor malva), tem anotações e
pertences que a relacionam com a família Abravanel, de Lisboa e de Sevilha. É,
por isso, conhecida como a Bíblia de Abravanel. |
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| Bíblia latina de
48 linhas |
| A primeira bíblia impressa a conter a data, o local e o
nome dos impressores foi dada à estampa em Mogúncia, 1462, pelos sócios de
Gutenberg, Johannes Fust e Petrus Schoeffer. É também o primeiro livro na
história da imprensa ocidental a conter uma marca de impressor porque abaixo do colophon,
Fust e Schoeffer acrescentaram uma imagem (xilogravura) dos seus escudos de
armas. Impressa em caracteres góticos pequenos mas muito legíveis, com iniciais
impressas a vermelho e a azul, é talvez a mais bela das primeiras quatro
bíblias impressas graças ao invento dos tipos móveis. Embora mais recente, os
exemplares completos desta Bíblia são mais raros do que os da Bíblia de 42
linhas, de Gutenberg. Ultimamente, têm aparecido à venda, em antiquários,
folhas soltas desta edição, a 4500 dólares cada. Em dois volumes, encadernados
em marroquim vermelho, contém o texto de S. Jerónimo, anterior ao da Vulgata. |
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| Vita
Christi |
| É um dos mais de 200 incunábulos (livros impressos até
1500) da Biblioteca Geral. Em quatro partes in-folio impressas em
Lisboa, em 1495, por ordem e a expensas do rei D. João II e de D. Leonor, é
considerado o segundo incunábulo português, depois do Tratado de Confissom
(Chaves, 1489), e o primeiro livro ilustrado impresso em Portugal.O tipógrafo
alemão que se identifica como Valentim de Morávia, e que se associou a Nicolao
de Saxónia para empreender esta edição, veio a ser conhecido como Valentim
Fernandes e exerceu a sua indústria em Portugal até 1516, servindo a rainha D.
Leonor, de quem foi escudeiro. Curiosamente, a divisa da Raínha, o camaroeiro,
ficou impressa de forma invertida. Para imprimir a obra, Fernandes teve de
comprar papel no estrangeiro e usar tipos móveis do mestre alemão Pedro Brun,
activo em Sevilha, além da grande gravura do Calvário, atribuída ao mestre E.
S., um dos mais importantes gravadores alemães do século XV.
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| As Tábuas dos Roteiros de
D. João de Castro |
| É o único manuscrito conhecido que inclui os desenhos que
ilustravam os roteiros "de Goa a Diu" (1538-1539) e o "Roteiro do Mar Roxo"
(1540) do conhecido vice-rei da Índia. É verdade que se conhecem outras cópias
(os originais consideram-se perdidos) das tábuas destes roteiros, mas que não
incluem a totalidade das ilustrações: da costa da Índia, na Biblioteca Nacional
(COD. 8033), e da costa do Mar Vermelho, na British Library. Manuscrito em
papel, de grandes dimensões, com desenhos aguarelados dos portos, baixios e
aguadas, cheios de apontamentos pitorescos, seja de habitantes, seja de animais
exóticos. Cortesão e Albuquerque, nas Obras Completas de D. João de Castro,dizem
que estas obras, tradicionalmente apontadas como roteiros, "seriam mais
apropriadamente designadas por diários", dada a grande soma de pormenores, de
observações hidrográficas, náuticas e geográficas que encerram. Este manuscrito
foi facsimilado, com estudo do matemático e historiador Luís de Albuquerque, em
versões portuguesa e inglesa, pelas Edições INAPA, em 1988.
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| Códices chamados de Dom
Flamínio |
| Da mão de Frei Flamínio de Jesus Maria, no século D.
Flamínio de Sousa "da família dos Pantoja", são um conjunto de imensa
documentação memorialista, de uso pessoal, à mistura com papéis genealógicos e
notícias da Carreira da Índia. Os 3500 fólios destes códices devem
considerar-se uma das fontes mais importantes e fidedignas para o conhecimento
dos contingentes das Monções quinhentistas: neles se encontra, por exemplo,
notícia do embarque de Luís Vaz de Camões. Apesar de terem sido compulsados
pontualmente pelos investigadores, constituem uma enorme massa documental
inédita e, porventura, susceptível de proporcionar ainda importantes
descobertas, desde que devidamente estudada, no seu conjunto. Os volumes foram
comprados em duas ocasiões, em anos recentes, acreditando-se que a Biblioteca
Geral possui agora a totalidade dos Códices ditos de Dom Flamínio. Na
Biblioteca Nacional, conserva-se uma cópia manuscrita do seu Nobiliário.
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| A 1ª edição de "Os
Lusíadas" |
| Conhecem-se apenas 30 exemplares, espalhados por oito
países, das várias tiragens e estados desta impressão de 1572
da obra maior de Luís de Camões.A chamada "edição Ee" ou A, com o pelicano
da portada virado à esquerda do leitor, ostenta anotações marginais,
algumas canceladas ou censuradas, e pertences manuscritos, muito delidos e já
insusceptíveis de identificação ("Snor Fr(ancisc)o" na portada, "He de d(uar)te
da costa / 1580"> no verso da portada,"Manoel [Bra?]nco" na folha 186vº,
etc.). Foi seu último possuidor Victor de Ávila Pérez, de quem conserva o
respectivo ex-libris gravado na encadernação. Foi comprado pelo Estado e
oferecido à Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, em 1942, mas está
infelizmente muito aparado, com manchas de manuseio, de tinta e de humidade.
Tem uma pequena falta de papel (antiga,completada à mão, na margem) na f. 49, e
encadernação moderna de Mestre José David Salema Caeiro. Presentemente,
necessita de pequenos restauros na portada e encadernação. |
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| Livros de coro do
mosteiro de Santa Cruz do Coimbra |
| Com trinta e dois volumes de 82 x 62 cm, este é o maior
conjunto homogéneo de livros de coro (ou de facistol) em bibliotecas
portuguesas. Em pergaminho, produzidos à mão entre 1740 e 1764 (não havia
prensas que pudessem produzir fólios impressos destas dimensões), compilam todo
o Ordinário do mosteiro, com as suas celebrações próprias, e toda a música
sacra que tão justa fama lhe granjeou. Este conjunto, que Alexandre Herculano
não logrou transportar para o Porto, poderá vir a ser enriquecido com sete
volumes provenientes da mesma colecção e à guarda do Museu Nacional
de Machado de Castro se for autorizado o seu depósito na nova Sala de Leitura
de Reservados, Manuscritos e Música da Biblioteca Geral, para uma
maior divulgação junto dos especialistas. |
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| Conjunto de dicionários,
vocabulários e gramáticas de tupi-português do século XVIII |
| O maior conjunto de originais jesuítas desse género
conservado em bibliotecas públicas, portuguesas ou brasileiras. Dois deles (Ms.
81 e Ms. 69) são da mesma mão, facto evidente num ornamento caligráfico tão
pessoal que funciona como uma verdadeira "assinatura" do anónimo autor. Os Ms.
94 ("Diccionário da Língua Brazilica.") e 148 (miscelânea que inclui
"Significados de alguns termos e frases.") completam este conjunto, a que se
poderia acrescentar também o Ms. 1089 com cópia da curiosa "Doutrina christan."
do Padre João Filipe Bettendorff. Todos eles pertencem ao chamado "fundo
antigo", cujas circunstâncias de entrada na Biblioteca são desconhecidas. Os
três géneros de obras produzidas sobre a "língua geral", como lembra Cândida
Barros, têm diferentes valores linguísticos: os catecismos mais controlados
pela hierarquia, os vocabulários mais livremente produzidos e as gramáticas
exigindo muito bons conhecimentos de latim. |
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| Conjunto dos manuscritos
e livros de Almeida Garrett |
| Este tesouro é constituído pelos manuscritos e livros "do
uso de" Almeida Garrett, 216 documentos ou conjuntos, incorporados na
Biblioteca Geral em 1948. No que é, infelizmente, um quadro muito corrente
neste país, o espólio do grande escritor, justamente considerado o pai do
moderno teatro português, encontra-se hoje dividido pela Biblioteca Geral, pela
Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e pela Biblioteca Nacional.
Recentemente, as melhores peças do espólio da Biblioteca Geral foram cedidas
para exposição conjunta com a Biblioteca Nacional, em Lisboa e, pelo menos
digitalmente, ficaram a partir daí reunidas num grande website comemorativo.
Desde que foi integrado, este espólio tem sido enriquecido com novas
incorporações de autógrafos, com notícias do Centenário e com cartas tanto do
autor como de vários familiares seus. Mais do que um espólio, deve, por isso,
considerar-se já como uma grande colecção documental de temática garrettiana. |
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| Álbuns dos "Monumentos
Architectónicos de Coimbra" |
| Finalmente, e porque a imagem tem sido pouco valorizada nas
bibliotecas, incluímos nesta lista os dois álbuns de fotografias de Coimbra,
realizados em 1862 pelo fotógrafo Charles Thurston Thompson (1816-1868), do
Museu de South Kensington (actual Victoria and Albert),em Londres.Num grande
empreendimento do imperialismo cultural britânico do século XIX, aquele Museu
financiou várias excursões a Portugal e Espanha, com o objectivo de fixar em
fotografia os grandes monumentos arquitectónicos da Península. Dessas excursões
resultaram dois álbuns, que foram oferecidos ao então Reitor da Universidade e
que hoje se encontram nos fundos da Biblioteca Geral. Entre as várias
fotografias do Paço das Escolas existentes nestes álbuns, existe uma rara
fotografia do rico interior da Biblioteca Joanina, tirada numa época em que a
fotografia de interiores ainda não estava ao alcance da generalidade dos
fotógrafos. |
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