F I M D A V I S I T A
Subindo a escadaria em direcção aos Arcos do Jardim, revestindo completamente o muro que ladea o Portão de acesso ao terraço superior, está, de novo a figueira trepadeira, Ficus pumila. Esta mesma trepadeira emoldura uma placa em mármore, em memória do primeiro director do Jardim Botânico, no período de 1772 a 1790, o italiano Domenico Vandelli, que foi também o primeiro professor de História Natural e de Química da Universidade de Coimbra.
À saída desse portão, uma árvore centenária, de grande porte, é mais outra espécie de figueiras da Austrália (Ficus macrophylla), com raízes aéreas (espeques) bem desenvolvidas e que servem de escora à larguíssima copa desta árvore.
Ultrapassando o Portão junto a essa figueira australiana situa-se o patamar das Estufas. Na Estufa Pequena, mais intensamente aquecida, há um lago central ocupado, a partir do mês de Março, por um enorme golfão do Amazonas (Victoria cruziana) cujas folhas podem atingir cerca de 2 metros de diâmetro e conseguem suportar um peso equivalente ao de uma criança de 6-7 anos. Também um nenúfar originário da China, Euryale ferox, se desenvolve nesta estufa, lado a lado com a Vitoria. São dois representantes da família das Nymphaeaceae, que apresentam polimorfismo foliar durante o seu desenvolvimento e as flores, de curta duração, são muitíssimo vistosas.
Encontram-se nesta estufa muitas plantas tropicais invulgares como a sensitiva Mimosa pudica e Mimosa polycarpa e várias espécies de caládios (Caladium spp.), de Maranta spp. e de Duranta spp.
Muito apreciadas pelas flores e folhas típicas, coloridas e de morfologia pouco comum, as plantas carnívoras (ver foto) pertencem a um grupo restrito que utiliza pequenos insectos na sua nutrição. Os mecanismos de atracção e captura destes insectos estão directamente relacionados com a cor, odor e morfologia das suas folhas. Entre as espécies portuguesas destacam-se o pinheirinho-baboso (Drosophyllum lusitanicum), a Drosera intermedia e a Pinguicula lusitanica.
Na estufa maior, a Estufa Grande, constituída por três corpos cada um dos quais preparado para receber diferentes espécies e por isso com condições de temperatura e humidade diferentes, salientam-se as colecções de orquídeas e de fetos. No primeiro dos três corpos, o mais aquecido, com ambiente de características tropicais, encontram-se muitas plantas tropicais conhecidas, como a cana-do-açucar (Saccharum officinarum), o cafeeiro (Coffea arabica), várias espécies de antúrios (Anthurium spp.). Podem igualmente ser apreciadas: uma exótica Streptocarpus grandis (com uma única folha de grandes dimensões) e o Pandanus livingstonianus, uma planta dioica, que floresce durante Março-Abril dando flores masculinas, brancas, de morfologia pouco comum; de reconhecida beleza realçam-se várias espécies e variedades de orquídeas, epífitas e terrestres (ex. Sobralia macrantha), de flores multicolores e morfologias diversas. O Ficus lyrata, uma Moraceae originária da China, a Cycas rumphii, proveniente da África Oriental e aqui cultivada desde 1964, e a designada palmeira-bambu (Chamaedora elatior) são exemplares de plantas muito raras.
No corpo central, onde se disfruta um ambiente de características sub-tropicais, podem observar-se algumas árvores de frutos comestíveis, como a anoneira (Annona cherimolia), a amendoeira do Brasil (Bombacopsis glabra), a mangueira (Mangifera indica), o abacateiro (Persea americana) e a cola (Cola acuminata). Aí se vê também a frondosa Dillenia speciosa (ver foto) e as palmeiras Howea forsteriana e Caryota urens, exemplos de espécies vegetais exóticas.
No terceiro corpo encontram-se, fundamentalmente, fetos, sendo alguns de porte arbóreo (Cyathea cooperii, Dicksonia sellowiana, Cibotium glaucum), diferentes hibiscos (Hibiscus spp.) e uma Apocynaceae da região do Sul de África, de flores brancas e perfumadas, mas frutos venenosos, a Acokanthera oppositifolia. Da família das Solanaceae podem admirar-se belos exemplares de Brunfelsia pauciflora, pequena árvore originária do Brasil que apresenta simultaneamente, flores de cores diferentes, consoante o estado de maturação, variando entre o lilás, rosa e branco, o que terá originado o seu nome vulgar de «ontem-hoje-e-amanhã».