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 Abril

1 de Abril
•Realiza-se a primeira de uma série de reuniões em casa de Hugo dos Santos, com vista à elaboração final e discussão do Programa do Movimento.

5 de Abril
•Comunicado do PAIGC sobre a resolução da ONU sobre as ilhas de Cabo Verde.

7 de Abril
• Carlos de Morais apresenta a António de Spínola, por solicitação de Otelo Saraiva de Carvalho, o projecto de Programa do Movimento. Solicita-lhe ainda a indicação de dois oficiais generais para o futuro Directório Militar. António de Spínola introduz algumas alterações, entre as quais a da constituição de um Governo Militar para cumprimento do Programa.  Quanto aos generais, António de Spínola sugere Diogo Neto e Jaime Silvério Marques.

9 de Abril
•Rebenta um engenho explosivo colocado pelas Brigadas Revolucionárias no navio Niassol, no momento em que este ia partir para Bissau com um contingente de soldados.

10 de Abril
•No relatório de Acção Psicológica- Delegação de Coimbra o Comandante da região alerta: “o estado de espírito dos militares acusou os efeitos decorrentes da publicação do livro “Portugal e o Futuro” e da subsequente amotinação ocorrida no RI 5 (Caldas da Rainha).

13 de Abril
•Carlos de Morais contacta de novo António de Spínola, a quem entrega a segunda versão do Programa do Movimento, já com as suas sugestões, com excepção da constituição de um Governo Militar. Carlos de Morais informa ainda que é intenção do Movimento, em caso de vitória, entregar a Presidência da República a Costa Gomes e a António de Spínola a chefia do Estado Maior General das Forças Armadas. Finalmente comunica-lhe que é também intenção do Movimento indicar os nomes de Pereira de Moura, Miller Guerra ou Raul Rego para Primeiro Ministro.António de Spínola informa Carlos de Morais que irá submeter o documento à apreciação de Costa Gomes.

14 de Abril
•António de Spínola procura Costa Gomes na sua residência, para o informar dos contactos tidos com o Movimento. Fala-lhe do Programa e da sua intenção de o substituir por dois outros documentos mais adequados. Costa Gomes recusa envolver-se mas acaba por ler os documentos. Aconselha, porém, António de Spínola a não se comprometer com o Movimento, o qual, na sua perspectiva, deveria ser desencadeado a partir do Ultramar.
•Encontro de António de Spínola com Carlos de Morais, a quem entrega o Programa Político com ligeiras alterações, bem como os dois novos documentos e ainda um gráfico com o escalonamento por fases do desenvolvimento do processo político e um organograma dos órgãos de Estado. Nesse organograma encontram-se no mesmo plano hierárquico o Primeiro Ministro e o CEMGFA, como resultado de uma total separação dos poderes político e militar. 
15 de Abril
• Garcia dos Santos, após fotocopiar o manuscrito da Ordem de Operações, inicia a elaboração do Anexo de Transmissões, que viria a ser distribuído a partir da noite de 23 de Abril.

16 de Abril
•Otelo Saraiva de Carvalho reúne-se com Eurico Corvacho e Gertrudes da Silva, aos quais distribui  missões e fornece todos os elementos constantes da Ordem de Operações.
•O MDP distribui um comunicado em que, a propósito da análise dos acontecimentos de 16 de Março, refere que não se trata de um caso isolado. Também o PS, em comunicado, trata os mesmos factos  como " episódio de um contexto mais vasto".

17 de Abril
•Reunião do Movimento. Otelo Saraiva de Carvalho lê o Plano de Operações por ele elaborado e que intitula Viragem histórica  e indica o chefe da Junta Militar a nomear após o golpe: Costa Gomes.
Na presença dos delegados e agentes de ligação das unidades do Sector Norte, Otelo Saraiva de Carvalho distribui-lhes as missões, acompanhando essas indicações com a leitura da restante Ordem de Operações e focando em especial as instruções de coordenação e a utilização das transmissões.

18 de Abril
•Otelo Saraiva de Carvalho encontra-se com Alexandre Aragão, representante do Movimento de Bissau, a quem informa do plano previsto e com quem combina uma alternativa de acção, caso o Movimento venha a falhar em Lisboa. A alternativa consistia na execução do plano já preparado pelo MFA da Guiné, que previa a neutralização de todos os comandos que se opunham ao Movimento e a abertura de negociações com o PAIGC vinte e quatro horas depois da acção em Portugal.
•Reunião de Otelo Saraiva de Carvalho com delegados e agentes de ligação das unidades do Sector Centro, com leitura da Ordem de Operações, distribuição de missões .

19 de Abril
•Reunião de Otelo Saraiva de Carvalho com delegados e agentes de ligação das unidades do Sector Sul, com a leitura da Ordem de Operações e distribuição de missões.
•Em Megève (França), na reunião anual do Clube de Bildelberg - clube em que tomam assento os mais influentes representantes da alta finança mundial - estão presentes, entre outros, Joseph Luns, secretário-geral da NATO. Ter-se-à tomado conhecimento da iminência de alterações políticas em Portugal e decidido não contrariar a evolução dos acontecimentos, crendo que a mudança política poderia conduzir ao liberalismo económico. A presença de Lunz nessa reunião poderá ter determinado o comportamento da NATO no "desenrolar  do golpe militar de Lisboa".

20 de Abril
• Completados os três textos políticos: Programa do Movimento das Forças Armadas, Protocolo Secreto a assinar pela Junta de Salvação Nacional (JSN) e pelo MFA, o que não veio a ter lugar, e Proclamação do Movimento ao País.
•Reunião de Otelo Saraiva de Carvalho com delegados e agentes de ligação das unidades da zona de Lisboa, às quais distribui missões e faz a Leitura da Ordem de Operações.

21 de Abril
•Num encontro com o major Moura Calheiros e com os coronéis Rafael Durão e Fausto Marques, Otelo Saraiva de Carvalho não consegue a adesão do Regimento de Caçadores Pára-quedistas. Apenas obtém a garantia de neutralidade dos  pára-quedistas.

22 de Abril
•Reunião de Otelo Saraiva de Carvalho com Jaime Neves, Morais e Silva e alguns oficiais de patente mais baixa da Escola Prática de Infantaria, a fim de serem ultimados pormenores quanto às respectivas missões.
•Encontro de Otelo Saraiva de Carvalho com João Paulo Diniz, locutor dos Emissores Associados de Lisboa, que garante a transmissão da canção E depois do Adeus de Paulo de Carvalho, como senha de arranque das unidades de Lisboa, a transmitir às 11 horas e 55 minutos, o que veio a ser antecipado sessenta minutos por razões operacionais.
•É autorizada pelo Estado Maior do Exército a montagem de uma linha telefónica militar directa entre a Escola Prática de Transmissões, à Graça, e o Regimento de Engenharia nº 1, na Pontinha, após proposta efectuada por Garcia dos Santos. Uma equipa chefiada pelo furriel Cedoura montou, em trabalho extenuante, a linha em menos de vinte e quatro horas.
•As unidades que vão participar no Movimento entram em estado de alerta, conforme as instruções recebidas.
•Reunião do Movimento em casa de Simões Teles. Presentes Vasco Gonçalves, Vítor Alves, Almada Contreiras, Franco Charais, Cunha Lauret e Vítor Crespo. Objectivo: concertar as sugestões da última lista de nomes para o Governo com António de Spínola. Decidiu-se pressionar este último, no sentido de aceitar aos nomes sugeridos pelo Movimento: Raul Rego, Miller Guerra e Pereira de Moura, propostos respectivamente por Vasco Gonçalves, Vítor Crespo e Almada Contreiras.

23 de Abril
•Reunião no Regimento de Engenharia 1, na Pontinha, entre Otelo Saraiva de Carvalho, Garcia dos Santos e Jaime Neves. Fica pronto o Posto de Comando.
•Ficam definitivamente assentes as "Instruções Finais para as Equipas de Ligação" que Neves Rosa se encarrega de dactilografar. Delas constam data e hora do início das operações, fixadas em 25 de Abril, às três horas da manhã, algumas alterações às missões anteriormente recebidas pelas unidades, senha e contra-senha a utilizar pelas forças intervenientes (inicialmente Fé imensa na vitória e garantia melhor futuro passam respectivamente a Coragem e pela vitória) e ainda outras instruções transmitidas a algumas unidades.
•Ao final da manhã, Álvaro Guerra enviado por Almada Contreiras, encontra-se com Carlos Albino e comunica-lhe que o Movimento precisa de utilizar o programa “Limite”, na madrugada do dia 25, para emitir o sinal  de código para o desencadear das operações militares. O Movimento propõe a canção de José Afonso Venham mais cinco para funcionar como código. Carlos Albino sabe que essa é uma das músicas censuradas internamente na Rádio Renascença. Sugere outras alternativas entre elas a Grândola, Vila Morena.
•A partir das dezoito horas Otelo Saraiva de Carvalho entrega a elementos de ligação as " Instruções Finais" e o "Anexo de Transmissões", em envelopes fechados e escondidos no jornal A Época, operação realizada junto do Parque Eduardo VII. Entrega ainda alguns emissores-receptores, destinados a equipar as unidades que não dispunham de aparelhos apropriados para entrarem nas redes de transmissão previstas.
•Reunião em casa de Vítor Crespo com a presença de vários oficiais da Armada. A Direcção do Movimento aí representada por Otelo Saraiva de Carvalho e Vítor Alves (visto Vasco Lourenço se encontrar nos Açores) obteve a garantia da neutralidade dos Fuzileiros Navais.

24 de Abril
•No início da manhã, Álvaro Guerra comunica a Carlos Albino a escolha definitiva da Grândola como senha nacional e a hora da sua transmissão no programa “Limite”: das 0h e 20m para as 0h e 22m. Carlos Albino contacta outro elemento da equipe do ”Limite”, Manuel Tomás. Por precaução e para evitar atrasos e imprevistos na emissão da senha, fazem todas as diligências necessárias à gravação de um alinhamento de programa com cerca de 10 minutos em que a leitura da primeira estrofe da Grândola aparecia ligada à leitura de outros textos. Pedem a um dos locutores habituais do “Limite”, Leite de Vasconcelos, que grave esse alinhamento de textos, mas mantêm segredo sobre o verdadeiro destino dessa gravação.
•Várias unidades da NATO chegam ao porto de Lisboa alegadamente para tomarem parte nas manobras aeronavais "Down Patrol", programadas para o dia 26 no Mediterrâneo. Poucas horas antes de ser oficialmente anunciada a mudança de regime, foi dada a ordem de que as manobras prosseguiam só com os navios estrangeiros, os navios de guerra portugueses puderam regressar a Lisboa e anunciaram a sua adesão ao MFA. A presença da NATO em Lisboa, nesta data, tem sido entendida por alguns analistas políticos como "elemento de dissuasão contra qualquer tentativa "contra-revolucionária" dos generais "ultras".
•Neves Rosa confirma  que a última equipa de ligação cumpriu integralmente a sua missão.
•Otelo Saraiva de Carvalho envia a Vasco Lourenço e a Melo Antunes um telegrama em código, confirmando o início das operações.
•O jornal República, a cujo colectivo de redacção pertenciam Álvaro Guerra e Carlos Albino, em breve notícia, chama a atenção para o programa Limite  dessa noite na Rádio Renascença.
•Carlos de Morais informa António de Spínola  da hora da acção e dos códigos radiofónicos estabelecidos para o desencadear da operação.
•Encontro de Otelo Saraiva de Carvalho com António Ramos, a quem entrega um "Anexo de Transmissões" um exemplar da proclamação do Movimento das Forças Armadas e as instruções relativas aos sinais combinados para início das operações.
• Cerca das vinte e duas horas Otelo Saraiva de Carvalho chega ao Regimento de Engenharia 1. Aí se encontram já os restantes oficias que virão a formar o Posto de Comando do MFA: Sanches Osório, Hugo dos Santos, Garcia dos Santos e Lopes Pires. Pouco depois chega Vítor Crespo.
•Às vinte e duas horas e cinquenta e cinco minutos, a Estação dos Emissores Associados de Lisboa transmite o primeiro sinal combinado: " Faltam cinco minutos para as vinte e três horas. Convosco Paulo de Carvalho com o Eurofestival 74: E depois do Adeus". Era o sinal para a preparação da saída dos quartéis.
•Logo após a audição do primeiro sinal começam os preparativos em várias unidades: na Escola Prática de Artilharia são presos o Comandante e o 2º Comandante e são reunidos os oficiais milicianos, os sargentos, os furriéis e os cabos milicianos, a quem os oficiais do Movimento expõem a situação. Aderem quase unanimemente os oficiais, furriéis e cabos milicianos, e recusam a sua adesão os sargentos do Quadro Permanente, que são presos na totalidade.
Na Escola Prática de Infantaria todo o pessoal recolhe à unidade, interrompendo os exercícios finais de campo, por forma a iniciarem os preparativos.
Na Escola Prática de Administração Militar os oficiais do Quadro Permanente dirigem-se para a unidade e iniciam os seus preparativos.
No Batalhão de Caçadores 5 Cardoso Fontão reúne as poucas dezenas de oficiais presentes que manifestam adesão unânime. Dele sairão duas companhias: a primeira tem como objectivo o Quartel General e a segunda, o cerco e a defesa da zona do Rádio Club Português.
O pessoal do " 10º Grupo de Comandos", cuja missão é o assalto ao Rádio Club Português, ouve o sinal e prepara-se para cumprir a missão que permitirá levar a  voz do Movimento a todo o país.
Costa Martins dirige-se para o Aérodromo Base nº1, na Portela de Sacavém. Está incumbido de controlar o Aeroporto e tráfego aéreo.

25 de Abril

0.20h
•Paulo Coelho é o locutor de serviço, nessa noite, no “Limite”. Sem saber dos compromissos assumidos por dois dos seus colegas de programa, quase faz perigar a transmissão da senha à hora exacta por ter antecipado a leitura de anúncios publicitários. Mas, após alguns momentos de tensão, no final da leitura do primeiro anúncio, Manuel Tomás também presente na cabine técnica consegue, dando um pequeno safanão aparentemente sem intenção, na mão do técnico de som José Videira, provocar o arranque da bobine que contém a senha. Então, pela voz previamente gravada de Leite de Vasconcelos, através dos potentes emissores da Rádio Renascença, ouve-se a primeira quadra da canção Grândola, Vila Morena, de José Afonso.

   Grândola vila morena
   Terra da Fraternidade
   O povo é quem mais ordena
   Dentro de ti, ó cidade.
Era o sinal confirmativo do desencadear das operações contra o Regime.

Das 0.30 às 3h
•Movimentações na Escola Prática de Artilharia onde Santos Silva assume o comando da unidade e faz sair uma força comandada por Oliveira Patrício e por Mira Monteiro com destino ao Cristo Rei em Almada; na Escola Prática de Infantaria onde Rui Rodrigues sai à frente de uma Companhia e tem por missão a ocupação do Aeroporto de Lisboa; e na Escola Prática de Cavalaria onde Costa Ferreira assume o comando da unidade e faz sair uma força comandada por Salgueiro Maia com o objectivo de ocupar o Terreiro do Paço.
•Movimentações ainda em Stª Margarida onde o pessoal das Companhias de Caçadores 4241 e 4246 se prepara para ocupar as antenas da Emissora Nacional situadas em Porto Alto; Tomar donde sai Hugo dos Santos para constituir um grupo de comandos destinado a neutralizar o 2º Comandante de Cavalaria 7, Ferrand de Almeida; Viseu donde sai uma Companhia que se juntará a outras forças na Figueira da Foz; Campo de Tiro da Serra da Carregueira onde constitui um grupo de homens comandado por Oliveira Pimentel e Frederico Morais, com a missão de tomar os estúdios da Emissora Nacional na rua do Quelhas.
•Movimentações ainda em unidades da Região Militar de Lisboa: Batalhão de Caçadores 5, Batalhão de Cavalaria 7, Escola Prática de Administração Militar (com a constituição de um grupo de homens comandados por Teófilo Bento, que tem por objectivo assaltar as instalações da Televisão, ao Lumiar), Escola Prática de Engenharia (que deve fornecer munições e juntar-se ás forças vindas de Santa Margarida)

3h
•Sacramento Marques, Comandante do CIOE de Lamego dá ordem de saída a uma companhia de comandos, sob as ordens de Delgado da Fonseca. Missão: fazer o itinerário Lamego-Porto e ocupar a delegação da PIDE/DGS na capital do Norte.
•Carlos Azeredo, Eurico Corvacho, Albuquerque e Boaventura Ferreira penetram no Quartel General da Região Militar do Porto e transformam-no em Posto de Comando do Movimento no Norte do País.
•Ocupação quase simultânea de pontos vitais da capital. Começam a ser enviadas para o Posto de Comando as confirmações em código:
- Rádio Televisão Portuguesa, Teófilo Bento informa: "Daqui é maior de Lima Cinco. Acabamos de tomar Mónaco sem incidentes".
- Rádio Club Português, Santos Coelho informa: "Aqui Grupo Dez. Informo México conquistado sem incidentes".
- Emissora Nacional, Frederico Morais informa: "Daqui maior de Lima Dezoito. Informo ocupámos Tóquio sem qualquer incidente".
- Quartel-General, Cardoso Fontão informa; "Canadá foi ocupado sem incidentes".

3.30h
•Santos Júnior, Comandante da PSP do Porto, telefona para o Comando da GNR informando que o QG da Região Militar foi tomado por um grupo de oficiais revoltosos. As ordens não se fazem esperar: prevenção rigorosa. Contactos entre GNR e PSP e Regimento de Cavalaria 6 para libertar o Quartel General. Arriscado Nunes e Martins Rodrigues, Comandante e 2º Comandante do RC6, recusam colaborar e aderem ao Movimento. Contactados Rui Mendonça e Carneiro de Magalhães, respectivamente do Regimento de Infantaria 8 e do Regimento de Infantaria 13, recusam cumprir as ordens dos comandantes.

4h
•Ocupação do Aeroporto de Lisboa. Costa Martins ordena a emissão de  instruções que interditam o espaço aéreo português e comunica para o Posto de Comando: "Aqui maior de Lima Dois. Informo Nova Yorque está ocupado e está sob nosso controlo".
•Chega a casa de António de Spínola um pelotão de Caçadores 5 com a missão de efectuar a segurança do General.

4.20h
• O Rádio Club Português, transformado em posto de comando, transmite, pela voz de Joaquim Furtado, o primeiro comunicado do MFA, no qual se pede à população que se mantenha calma e se apela aos médicos que acorram aos hospitais.

4.30h
•Franco Duarte, Comandante do Regimento de Cavalaria 3,  adere ao Movimento.

4.45h
•Segundo comunicado, através do Rádio Club Português, reforçando recomendações de prudência às forças militarizadas. Anuncia-se, entretanto, que os comandantes que conduzirem os seus subordinados à luta contra o MFA serão severamente punidos.

5h
•Silva Pais telefona a Marcelo Caetano. O diálogo entre ambos, segundo Marcelo Caetano em Depoimento, foi o seguinte : " Senhor Presidente a Revolução está na rua..."
"Então para onde vou? Do outro lado da linha houve um momento de hesitação, Silva Pais falou para o lado e depois respondeu: para o Carmo que a GNR está fixe."

5.15h
•Terceiro comunicado do MFA. Renova apelos e recomendações anteriores. Pela primeira vez discrimina as forças, militarizadas e outras, potenciais opositoras ao Movimento: Guarda Nacional Republicana, Polícia de Segurança Pública, Direcção Geral de Segurança e Legião Portuguesa.
•Em breve a coluna de Salgueiro Maia atinge a portagem da auto-estrada do Norte. Segue sem oposição, atravessando a cidade em direcção ao seu objectivo, o Terreiro do Paço.

6h
•Salgueiro Maia transmite para o Posto de Comando: "Aqui maior de Charlie Oito. Informo que ocupámos Toledo (Terreiro do Paço) e controlamos Bruxelas (Banco de Portugal) e Viena (Rádio Marconi).

6.30h
•Soa o alarme na Força Aérea. O Comando da I Região Aérea ordena ao Comandante do Regimento de Caçadores Pára-quedistas que faça deslocar para Monsanto uma força de pára-quedistas.  Fausto Marques, depois de algumas diligências,  acaba por recusar cumprir a ordem, aguardando o esclarecimento da situação e cumprindo a sua promessa de não actuar contra as forças do Movimento.
•Entretanto, os membros do Governo que fugiram do Terreiro do Paço chegam ao Regimento de Lanceiros 2. De imediato tentam fazer da unidade um posto de comando das operações de resistência e de contra-ataque sob comando de Junqueira dos Reis.

6.45h
•O MFA, em mais um comunicado transmitido do posto de comando do Rádio Club Português, declara que tomou conta da situação, pelo que constituirá delito grave qualquer oposição.
•Quatro tanques M-47 e 15 camiões com tropas estacionam na Calçada da Ajuda, junto a Lanceiros 2.

7h
•Na Figueira da Foz, o Agrupamento Norte prepara-se para alcançar o seu objectivo, o Forte de Peniche. É constituído por duas companhias de instrução do Regimento de Artilharia Pesada 3, comandadas por Moço e Garcia, uma bateria de artilharia da mesma unidade comandada por Diniz de Almeida, uma força do Regimento de Infantaria 10 de Aveiro, comandada por Pizarro, e ainda uma companhia de dois pelotões do Centro de Instrução de Condutores Auto 2 (CICA 2) comandada por Rocha Santos. São cerca de quatrocentos homens numa coluna de cinquenta viaturas, engrossada ainda com a chegada tardia da coluna do Regimento de Infantaria 14 de Viseu.
•Forças do Regimento de Artilharia Pesada 2 de Vila Nova de Gaia entram em posição nos acessos da Ponte da Arrábida no Porto, apenas com uma diferença de minutos da entrada em posição das forças da Escola Prática de Artilharia de Vendas Novas no morro do Cristo Rei, fronteiro a Lisboa. Da sua lista de objectivos faz parte a ocupação das instalações da Força Aérea de Monsanto e o Terreiro do Paço.

7.20h
•O Posto de Comando recebe a mensagem referente às operações das forças de Vila Nova de Gaia e de Vendas Novas: "Maior de Sierra Três  informa estar em posição em Londres, onde a coluna chegou sem incidentes, estando tudo pronto a cumprir missões de tiro".

7.30h
•É emitido um novo e mais esclarecedor comunicado do MFA, lido pelo locutor Luís Filipe Costa, que informa das intenções do Movimento. Termina com «Viva Portugal».
•Chegada a casa de António de Spínola de Xavier de Brito que se coloca às ordens do General. Este pede-lhe que se desloque ao Regimento de Cavalaria da GNR para informar o Comandante Serra Pereira de que  deveria aderir uma vez que Spínola está com o Movimento. Tal não viria a acontecer, apesar de Xavier de Brito se deslocar duas vezes ao Regimento, durante a manhã do dia 25 de Abril.
•É dada a ordem pelo Estado Maior da Armada para que a fragata da marinha de guerra Almirante Gago Coutinho, com a matrícula F-473, que saía em manobras, regresse e fundeie frente ao Terreiro do Paço. A ordem não foi cumprida de imediato. Só mais tarde a fragata regressa, mantendo-se em manobras na área e fundeando à 14 horas em frente ao Cais das Colunas.

7.52h
•A Emissora Nacional suspende a emissão.

8h
•Forças adversas ao Movimento, vindas de Lanceiros 2, tomam posição na Ribeira das Naus, e em frente do cais do Sul e Sueste. 12 «jeeps» da GNR são bloqueados na Rua da Madalena.
•O Governo ordena o corte selectivo da energia eléctrica e dos telefones do Rádio Club Português, tanto nas instalações da Rua Sampaio Pina, como no emissor de Porto Alto. Entram em funcionamento geradores automáticos que asseguram a emissão.

8.30h
•Pela primeira vez um comunicado  do MFA é lido na Emissora Nacional.

9h
•No emissor de Miramar do Rádio Club Português é lido pela primeira vez um comunicado do MFA. Mais tarde, a emissão sofre uma interrupção que dura até às 11 horas.

10.15h
•Um avião de pára-quedistas sobrevoa o Terreiro do Paço.
•Entretanto, na outra margem do Tejo, dois aviões cruzam sinais de fumo. São fechados os acessos ao Terreiro do Paço e barricadas as ruas Augusta, do Ouro e da Prata.
•Detenção do General Louro de Sousa, quartel-mestre-general, à entrada do respectivo serviço.

10.30h
•Chegada do Agrupamento Norte a Peniche. A DGS mostra-se disposta a resistir.

11h
•As forças concentradas no Terreiro do Paço distribuem-se: uma parte em direcção ao Quartel General da Legião Portuguesa, na Penha de França, comandada por Jaime Neves e formada por forças aderentes do RC 7, RI 2 e RI 1. Outra parte, comandada por Salgueiro Maia, e formada pelas forças da EPC, em direcção ao Carmo. A marcha da coluna militar até ao Carmo, é acompanhada por impressionante número de pessoas que gritam: «Vitória! Vitória!», «Fim à guerra colonial!», «Abaixo o fascismo!» e « Liberdade! Liberdade!».

Das 10.30h às 11.30h
•Os ex-ministros da Defesa, do Interior e do Exército participam numa reunião, no Ministério do Exército, à qual assiste também o ex-deputado Henrique Tenreiro, além de outros oficiais generais.
•O Tenente-Coronel Ferrand de Almeida, comandante de uma das forças de Cavalaria 7, recusa-se a aderir ao Movimento, rendendo-se.
•Os ministros militares, bem como o do Interior, fogem por uma comunicação secreta entre o Ministério do Exército e da Marinha. São vistos a tomar lugar num autocarro.
•O General Andrade e Silva, ministro do Exército, põe-se em fuga. Outros, entre os quais César Moreira Baptista, Rui Patrício e Silva Cunha dirigem-se ao quartel da GNR no Carmo.

11.45h
•Novo comunicado é transmitido pelo RCP. O MFA informa que, de Norte a Sul, domina a situação e que em breve chegará a hora da libertação. Chama-se ainda a atenção de todos os estabelecimentos comerciais para que encerrem imediatamente as portas. Se a ordem não for acatada, será decretado o recolher obrigatório.

12.30h
•Salgueiro Maia dispõe as suas forças em posição de cerco ao Quartel do Carmo. Constituem-nas militares do RC 7, da EPC e da Região Militar de Tomar. As portas e janelas estão fechadas. Muito povo dificilmente contido nas ruas vizinhas, apoia os militares revoltosos. Vêem-se cravos vermelhos nos canos de muitas espingardas oferecidos aos soldados por populares.

13h
•O MFA informa as famílias dos militares  envolvidos em operações de que eles se encontram bem.

A partir das 13h
•Uma força da GNR dispõe-se ao longo da Rua Nova da Trindade, até junto da retaguarda das forças de Cavalaria que cercam o Carmo.
•Manifestações populares hostis à GNR.
•A coluna do RC 3, que tinha como missão libertar os militares presos na Trafaria, chega à Ponte sobre o Tejo. Do Posto de Comando recebe, porém outro objectivo: acorrer em defesa das forças de Salgueiro Maia, a fim de encurralar a GNR e a Polícia de Choque entre dois fogos.
•Centenas de pessoas descem a Rua António Maria Cardoso, entoando o hino nacional, e aproximando-se da sede da PIDE/DGS, de cujas janelas são disparados tiros. Cinco feridos, alguns com gravidade.

13.30h
•Jaime Neves, depois de montar um dispositivo militar nos acessos ao Quartel, concedeu aos ocupantes do edifício do Comando da Legião Portuguesa quinze minutos para se renderem. Decorridos dez minutos, as forças do Movimento tomam o edifício e informam para o Posto de Comando: "Marrocos foi ocupado sem qualquer incidente."

14h
•Nuno Távora chega a casa de António de Spínola para entregar uma carta de Pedro Feytor Pinto, Secretário de Estado da Informação e Turismo, em que este se oferece para intermediário com Marcelo Caetano. Pouco depois, será o próprio Pedro Feytor Pinto a telefonar a António de Spínola, comunicando o pedido de Marcelo Caetano para que assuma o comando da situação a fim de evitar que " o poder caia na rua".

14.30h
•Novo comunicado do MFA pela voz de Clarisse Guerra, no qual se informa que tudo se processa de acordo com as previsões: os objectivos estão dominados e as mais importantes figuras do regime sob prisão.

14.55h
•Um novo Comunicado do MFA alerta a população contra os elementos da GNR e DGS que se fazem passar por amigos do Movimento.
•Desespero entre os comandos das forças fiéis ao Governo, patente nas mensagens via rádio que trocam entre si.

15h
•Salgueiro Maia, comandante das forças que sitiam o Quartel do Carmo, improvisa uma conferência de imprensa: «A GNR não tem qualquer hipótese de resistência».
•É dirigido um ultimato de quinze minutos às tropas barricadas no Quartel-general da GNR.
•Sobe a tensão entre os populares que, entretanto invadiram as ruas.
•Sai do Quartel o Major Fernando Bélico Velasco da GNR «por iniciativa pessoal».
•Minutos após, o Coronel Correia de Campos, comandante das Forças sitiantes, penetra no quartel para conversações.

15.10h
•Salgueiro Maia dirige novo ultimato: "Atenção Quartel do Carmo! As conversações estão muito demoradas. Estão muito demoradas!".
Como nenhuma resposta chega, inicia-se o bombardeamento com armas ligeiras e dirigido para a parte superior do edifício e para o ar.
Ultimato final de Salgueiro Maia: «Vou contar até três. Devem sair desarmados e com as mão no ar, senão destruiremos o Quartel». Suspende a ordem de fogo.
•Do lado da Estação do Rossio correm, acompanhados de um militar, Pedro Feytor Pinto e Nuno Távora, que se dizem portadores. Um pouco mais tarde dirigem-se mais uma vez à residência de António de Spínola. Marcelo Caetano exige, para se render, a presença de um membro do MFA de patente superior a Coronel.

15.15h
•O Posto de Comando do Movimento ordena às forças da EPA estacionadas no Cristo Rei que libertem os camaradas presos no Forte da Trafaria na sequência do 16 de Março. A operação, conduzida por Andrade da Silva, decorre sem incidentes.

16.30h
•Marcelo Caetano entra em contacto telefónico com António de Spínola, pedindo-lhe para comparecer com urgência no Quartel do Carmo. A resposta de António de Spínola reveste-se de alguns cuidados: é necessário estabelecer contacto com o Comando do Movimento, cuja localização desconhece. Pede a Dias de Lima e a António Ramos que se desloquem ao Rádio Club Português a fim de se estabelecer contacto com o Movimento. Pouco tempo depois António de Spínola telefona para o Posto de Comando para falar com Otelo Saraiva de Carvalho. Este informa-o que lhe ligará mais tarde a transmitir-lhe a posição do Movimento.

17h
•António de Spínola recebe um telefonema do Comando do Movimento em que lhe é solicitada a sua ida ao Quartel do Carmo para aceitar a rendição do Presidente do Conselho, que deveria de seguida ser conduzido ao Quartel de Engenharia na Pontinha.

18h
•António de Spínola entra no Quartel do Carmo, submerso pela multidão que o aplaude e exige a sua vinda à janela.
•Uma coluna militar da EPA, comandada por Mira Monteiro, sobe a Calçada da Ajuda e estaciona entre os aquartelamentos de Cavalaria 7 e Lanceiros 2. O objectivo era o Quartel de Lanceiros 2 cuja posição não estava ainda bem definida.

18.20h
•O Rádio Clube Português difunde novo comunicado que dá conta das últimas alterações da situação.

18.40h
•A RTP interrompe a sua emissão até aí preenchida por programas recreativos entre eles um musical com Viniciús de Morais e, pela voz do locutor Fernando Balsinha, anuncia que o MFA prepara uma edição especial do Telejornal. Em seguida, Fialho Gouveia lê uma declaração do Movimento.

19.30h
•No Largo do Carmo cresce a agitação e a população concentra-se junto ao portão. Francisco Sousa Tavares tenta convencer a população a desocupar a zona para permitir a retirada. Uma viatura blindada, a chaimite Bula, encosta à porta de armas para receber Marcelo Caetano, Moreira Baptista, Rui Patrício e Coutinho Lanhoso. As forças da EPC levantam o cerco e formam a coluna que os conduzirá  ao Regimento de Engenharia 1 na Pontinha. Logo atrás segue, numa viatura civil, António de Spínola, longamente vitoriado pela multidão.
•À Baixa da cidade começam a afluir centenas de pessoas, vitoriando as Forças Armadas e gritando «slogans» identificadores de várias forças políticas.

20h
•É finalmente lida nos emissores do RCP, a Proclamação do Movimento das Forças Armadas. Vinte e uma horas após a emissão do primeiro sinal confirmativo das operações o regime caía.
•António de Spínola chega ao Quartel da Pontinha. " Senhores oficiais, devo começar por informá-los  que acabo de assumir o poder no Quartel do Carmo. Agora vamos ao trabalho."

21h
•Atiradores da DGS disparam sobre manifestantes, na Rua António Maria Cardoso. Quatro mortos e dezenas de feridos. Um agente da DGS é morto pelas Forças Armadas quando tentava fugir.
•Vítor Crespo, único representante da Armada no Posto de Comando, consegue finalmente mobilizar um corpo de fuzileiros navais, sob o comando de Vargas de Matos, cuja acção virá a ser relevante na definitiva rendição da PIDE/DGS. Com eles estará também uma outra força da Armada comandada por Costa Correia.

22h
•A DGS resiste também na prisão de Caxias. As primeiras tropas a chegar ao Forte, são duas companhias de pára-quedistas, comandadas por José Brás e Mário Pinto. Horas mais tarde chegam também forças de fuzileiros que montam um cordão de segurança em torno do reduto Norte. A multidão começa a juntar-se durante toda a noite, na esperança de assistir à libertação dos presos.
•Entretanto anuncia-se que a PSP aderiu ao Movimento e deixou de oferecer resistência.

Ainda em 25 de Abril
•É publicada a Lei nº 1/74 que destitui das suas funções o Presidente da República e o actual Governo e dissolve a Assembleia Nacional e o Conselho de Estado e determina que todos os poderes atribuídos aos referidos órgãos passem a ser exercidos pela Junta de Salvação Nacional.
•O D. L. nº169/74 exonera os Governadores-Gerais  dos Estados de Angola e Moçambique e determina que as suas funções passem a ser desempenhadas interinamente pelos Secretários Gerais desses Estados.
•O D. L. nº170/74 exonera das suas funções os governadores civis do continente e ilhas. Até serem nomeados novos titulares, essas funções serão exercidas pelos secretários dos governadores civis.
•O D. L. nº171/74 extingue a DGS, LP e MP.
•O D. L. nº172/74 dissolve a ANP.
•Soldados do MFA empunham espingardas enfeitadas com cravos vermelhos, que terão sido distribuídos por Celeste Martins Caeiro, trabalhadora do “self-serviçe” “Franjinhas”, na madrugada de 25 de Abril.

26 de Abril
1.30 h
•Apresentação ao país, através da televisão, da JSN:
 General António de Spínola ( Presidente)
 General Francisco da Costa Gomes
 General Manuel Diogo Neto.
 Brigadeiro Jaime Silvério Marques
 Coronel Carlos Galvão de Melo
 Capitão de Mar e Guerra José Baptista Pinheiro de Azevedo
 Capitão de Fragata António Rosa Coutinho
•Após a cerimónia os elementos da JSN regressam à Pontinha para retomar  com os elementos do MFA ali presentes a discussão acerca do Programa do MFA e da oportunidade de o distribuir à imprensa. A discussão prolonga-se por toda a noite.

7h
•Almeida Bruno, comandando uma pequena força, dirige-se à Rua Almirante Saldanha, ao Restelo, para acompanhar Américo Tomás, que durante o desenrolar das operações não abandonara a sua residência, ao Aeroporto da Portela, a fim de embarcar para a Ilha da Madeira. Pela mesma hora Lopes Pires acompanha Marcelo Caetano, Silva Cunha e Moreira Baptista ao mesmo avião, que às 7.40 levanta voo em direcção ao Funchal. Aí permanecem com residência vigiada à ordens da JSN.

7.30h
•Vítor Alves lê, perante os representantes dos órgãos de comunicação social, a versão definitiva do Programa do MFA, já com as alterações de última hora propostas por António de Spínola e por Costa Gomes.

8h
•Não há sinais de capitulação por parte da DGS, fechada na sua sede da rua António Maria Cardoso. Costa Correia e Campos Andrade conferenciam com alguns agentes detidos no Governo Civil, na rua Capelo, à guarda da PSP. Finalmente, há um contacto entre um agente e Campos Andrade. Silva Pais falara com António de Spínola e estava pronto a render-se sem condições.

9.30h
•Costa Correia e Campos Andrade penetram na sede da DGS para receber a rendição de Silva Pais, assim como as chaves dos ficheiros e dos arquivos.

11h
•Salgueiro Maia ocupa o edifício do Secretariado Geral da Defesa Nacional, na Cova da Moura, onde irão instalar-se a JSN e o MFA.

Ainda em 26 de Abril
•São libertados os presos políticos de Caxias.
•Realiza-se a primeira conferência de imprensa da JSN no Posto de Comando da Pontinha.
•As instalações do jornal A Época  da ANP e da Comissão de Censura são destruídas por populares.
•É publicado o D. L. nº173/74 que amnistia os crimes e infracções disciplinares  de cariz político.
•Em vários pontos do país realizam-se manifestações de apoio ao MFA. As mensagens de solidariedade sucedem-se.
•Em Lisboa, grupos de populares e militantes de esquerda começam a localizar e a perseguir elementos da PIDE que os soldados tentam pôr a salvo.
•A CDE organiza uma manifestação e distribui um primeiro comunicado intitulado " A hora é de festa, de acção, de luta e de amplas conquistas".
•A imprensa estrangeira começa a noticiar os acontecimentos politico-militares que levaram à queda do Governo em Portugal.
•Comunicado  da " Convergência Monárquica", saudando a JSN. Assinado por A. Dentinho, A. da Fonseca, A. de Mascarenhas Barreto, F. Sylvan, J. de Moura, J. da Silveira, J. L. de Carvalho, J. M. da Costa, P. Pessoa e R. de Montezuma, que seriam os futuros dirigentes do PPM,  constituído em Maio.
• Comunicado conjunto do "Movimento Monárquico Popular e da Renovação Portuguesa" em favor do MFA e da monarquia. Assinado por Gonçalo Ribeiro Teles em representação do MMP e por Henrique Barrilaro Ruas em representação da Renovação Portuguesa.
•Comunicado da Liga Popular Monárquica  em que se afirma que "o problema do Ultramar (...) só poderá ser resolvido após um debate autêntico em que sejam ouvidos todos os portugueses, sem esquecer muito especialmente os 17 milhões que vivem no Ultramar". É assinado pela direcção: João Vaz Serra de Moura, Carlos de Carvalho, Henrique de Ataíde, João de Carvalho, José Manuel da Costa, José Mário Dengucho, Mário Rosa e Pedro Pessoa.
•A maior academia de estudantes do país solidariza-se com o MFA. Os estudantes de Coimbra reunidos em Assembleia Magna realizada no edifício da Associação Académica de Coimbra aprovam uma moção em que afirmam que os estudantes de Coimbra “saúdam o Movimento das Forças Armadas pelo importante passo que deu no desabamento do fascismo e incitam a maior firmeza no prosseguimento dos objectivos patrióticos da extinção da PIDE/DGS e libertação de todos os presos políticos”

27 de Abril
•São libertados os presos políticos de Peniche.
•É reaberto ao tráfego o Aeroporto da Portela.
•Pelo D. L. nº174/74 e "enquanto não tomar posse o Governo Provisório Civil" é criado junto dos Ministérios civis o cargo de delegado da JSN.
•Pelo D. L. nº175/74 "é instituído como feriado nacional obrigatório o dia 1 de Maio considerado o «Dia do Trabalhador».
•Primeira reunião da JSN com os representantes dos movimentos políticos que considera representativos: MDP/CDE, SEDES e Convergência Monárquica.
•Rendição da PIDE/DGS em Coimbra.
•A Intersindical Nacional realiza uma reunião com quinze sindicatos em que saúda o MFA e apresenta um caderno reivindicativo de 14 pontos.

28 de Abril
•Declaração da FRELIMO de apoio ao 25 de Abril em que se declara pronta a negociar com Portugal o problema da independência completa de Moçambique.
•Inicia-se em Lisboa um Encontro Nacional do MDP/CDE com a participação do PS e PCP. É aprovado um memorando de trabalho entregue à JSN.
•Os moradores de barracas do bairro da Boavista em Lisboa ocupam casas vagas num bairro social. É a primeira ocupação colectiva de casas.
•Chega a Lisboa (Santa Apolónia), vindo do exílio, do líder do Partido Socialista, Mário Soares.
•Reunião da JSN com representantes dos órgãos de comunicação social.
•Declaração do MPLA de apoio ao 25 de Abril em que declara pronto a negociar com Portugal o problema da independência completa de Angola.

29 de Abril
•Chega a Lisboa Vasco Lourenço, vindo dos Açores.
•Cerca de 700 oficiais da Armada reúnem-se, dando origem à «Moção da Casa da Balança» onde, entre outros pontos, se manifesta a total  adesão ao Programa do MFA.
•Reunião na Cova da Moura entre António de Spínola e os responsáveis pelos bancos privados portugueses. Participam José Manuel de Melo, Manuel Quina, Ricardo Espírito Santo e António Champallimaud.
•Circula em Bissau um abaixo-assinado com larga adesão de oficiais, sargentos e praças, pedindo ao Presidente da JSN o cessar fogo imediato e a abertura de negociações com o PAIGC que considera ser o único representante legítimo dos povos da Guiné. Uma delegação parte para Lisboa, trazendo o texto à Comissão Coordenadora, para ser presente à JSN.
•O D. L. 176/94 exonera os reitores das Universidades as direcções das Escolas Superiores e Institutos Universitários.
•O D. L. 177/94 promove a vice-almirante e general de quatro estrelas os oficiais escolhidos para integrarem a JSN.
•A Sociedade Portuguesa de Autores comunica o seu apoio à JSN.

30 de Abril
•É publicado o D. L. nº 178/74 que prevê o saneamento dos quadros das Forças Armadas.
•Na sequência da necessária extinção do Secretariado para a Juventude, a JSN publica o D. L. nº 179/74 em que é criado o Fundo de Apoio aos Organismos Juvenis por se reconhecer ser "preocupação da Junta estimular o espírito associativo e fomentar a formação democrática e cultural da juventude".
•Comunicado da JSN autorizando o regresso dos exilados políticos portugueses.
•Costa Gomes reocupa o cargo de CEMGFA.
•António de Spínola declara que a motivação da JSN é garantir a sobrevivência de Portugal na sua «totalidade multicontinental».
•Chega a Lisboa (Aeroporto da Portela), vindo do exílio, Álvaro Cunhal, líder do Partido Comunista Português.
•São libertados os presos políticos do Tarrafal (Cabo Verde).
•É autorizada pela JSN a manifestação do 1º de Maio. Spínola adverte a propósito "que depois há que pôr termo à agitação".
•Plenário de Estudantes de Lisboa. Presentes cerca de 10 000 estudantes.
•É apresentada na Polícia Judiciária, pelo advogado de defesa da família de Humberto Delgado, a participação formal que requer a investigação sobre a morte do General.
•É criado o Movimento de Libertação da Mulher (MLM), que apresenta como principal reivindicação a contracepção e o aborto livres e gratuitos.

Ainda nos últimos dias de Abril
•Vários países reconhecem o novo regime entre eles, Estados Unidos da América, Brasil, Espanha, França, República Federal da Alemanha, África do Sul e Vaticano.
•Um pouco por toda a parte as paredes enchem-se de pinturas murais com as mais diversas mensagens políticas.
•As unidades que participaram nas operações militares do 25 de Abril começam a apresentar aos respectivos superiores hierárquicos os relatórios de participação.
•Personalidades dos mais diversos quadrantes políticos, entre eles Mário Soares e SáCarneiro pedem o julgamento dos responsáveis do anterior regime.

     

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