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PS - Biografia Alongada

"A fundação do primeiro Partido Socialista Operário Português (PSOP) remonta a 1875, sob proposta de Azedo Gneco, que contou com o apoio de José Fontana, Antero de Quental e Nobre da França, entre outros. Em virtude da incipiente industrialização do País e da crescente influência do Partido Republicano Português nas duas últimas décadas do século XIX junto da pequena e média burguesia e do proletariado urbanos, os primeiros socialistas tiveram uma influência limitada na sociedade portuguesa quer no fim do século passado quer no início deste. Desde cedo, porém, foram mantidas relações estreitas com o movimento socialista internacional. Depois da implantação da Ditadura Militar, em 1926, o partido perdeu, porém, a sua organização - apesar de se manter activo até 1933, data em que se realizou em Coimbra a sua IV Conferência. Em 1942, surge o Núcleo de Doutrinação e Acção Socialista (NDAS) e, dois anos depois, é criada a União Socialista (US). Em 1945 o núcleo fundamental que funda o Movimento da Unidade Democrática (MUD) é constituído por socialistas. E em 1 de Maio de 1947, António Sérgio profere a “Alocução aos Socialistas”, onde apela à acção política em prol da democracia; em 1953 é constituída a Resistência Republicana e Socialista e em 1961 é publicado o “Programa para a Democratização da Republica”, que pretende corporizar um movimento político capaz de mobilizar os cidadãos para a tarefa de pôr termo a Ditadura. Em 1964, Mário Soares, Tito de Morais e Francisco Ramos da Costa criam a Acção Socialista Portuguesa (ASP), que desenvolve acções de sensibilização cívica e de propaganda política e social no País e no Estrangeiro. Em Março de 1968 Mário Soares é deportado para S.Tomé por decisão do Governo de Salazar, o que pretende ser um duro golpe na oposição democrática, de onde regressará em Novembro do mesmo ano, já por decisão de Marcelo Caetano, que assumira entretanto a chefia do Governo. Nas eleições de 1969, a ASP promove Listas de Comissão Eleitoral de Unidade Democrática (CEUD) em Lisboa, no Porto e em Braga, com fracos resultados. Em 1970 Mário Soares é, contudo, forçado a exilar-se no estrangeiro. Em Abril de 1973 a ASP transforma-se no Partido Socialista no Congresso de Bad- Munstereifel e os seus membros concorrem às eleições desse ano ao lado dos comunistas e independentes. Após a Revolução de 25 de Abril de 1974, o PS, sob a liderança de Mário Soares, participa em cinco dos seis governos provisórios, sendo o partido mais votado nas eleições para a Assembleia Constituinte (1975), na qual dispôs de uma influente maioria relativa. Volta a obter o primeiro lugar nas eleições de 1976. Em 1974 e 1975, durante a Revolução, demarca-se claramente do PCP, quer a propósito da “unidade sindical”, ponto em que se destacou Salgado Zenha, ao denunciar a hegemonização dos movimentos dos trabalhadores pelo PCP, quer a propósito da intransigente defesa do pluralismo e das liberdades fundamentais, em contraponto ao projecto nacional-militar do MFA. Em 1976, o PS apoiou a candidatura do General Ramalho Eanes à Presidência da República - que viria a saír vencedora - e em 1980 viabilizaria a recandidatura - então com a demarcação pessoal de Mário Soares, por discordância com a orientação política do candidato. O líder socialista (Mário Soares) foi primeiro-ministro em três períodos (1976-1977, governo minoritário, apenas com o apoio do PS; 1978, maioritário com o apoio do CDS; 1983-1985, maioritário, baseado num acordo PS-PSD). Nas eleições de Outubro de 1985 sofreu um duro revés, baixando a sua votação para 20%, em virtude dos efeitos da política de austeridade posta em prática pelo governo do Bloco Central e do surgimento de um novo partido - o PRD. Em Fevereiro de 1986, o líder histórico do partido, Mário Soares, viria, porém, a ser eleito presidente da República, numa renhida disputa, batendo na segunda volta, com o voto de toda a esquerda, o candidato Diogo Freitas do Amaral, apoiado pelo PSD e pelo CDS. Como secretário-geral do PS, Víctor Constâncio sucedeu a Soares em 1986, vindo a renunciar ao cargo em Outubro de 1988. Sucedeu-lhe Jorge Sampaio, sufragado no Congresso de Janeiro de 1989 - que viria a ser eleito nesse ano Presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Em 1991, Mário Soares é reeleito presidente da República, com cerca de 70% dos votos, mas em Outubro, o PS obtém nas legislativas um resultado aquém das expectativas, o que conduzirá à eleição de um novo secretário-geral do partido no início de 1992- António Guterres que chegaria ao poder, nas Legislativas de Outubro de 1995." Devido a maus resultados nas eleições autárquicas, Guterres abandona a liderança e é substituído por Ferro Rodrigues, o qual, por sua vez, vem a mais tarde a ser substituído por José Sócrates, actual líder do PS e Primeiro Ministro.

 

 

 

(Fonte: "Revista de Assuntos Eleitorais-STAPE")