C de Códice e Computador | E de Edição Electrónica | E de Escrileitores
C for Codex and Computer | E for Electronic Editing | W for Wreaders
Este programa consiste numa introdução à história do livro. Depois de uma breve problematização relativa à natureza do livro e ao estudo do livro, centraremos a atenção nas transfigurações tecnológicas e culturais do livro. Veremos, em particular, a relação entre tecnologias de reprodução e formas de organização social, procurando apreender a função do livro em processos históricos específicos. Trata-se de desenvolver um conhecimento histórico da materialidade bibliográfica que permita compreender também a interdisciplinaridade dos estudos actuais do livro. No final do semestre, os(as) alunos(as) deverão ser capazes de: a) caracterizar as várias dimensões do livro como artefacto cultural; b) descrever as principais transformações do livro num horizonte temporal que inclui a reprodução manuscrita na Antiguidade e na Idade Média, a reprodução impressa a partir do século XV e a actual reprodução e distribuição digital através das redes de computadores; c) problematizar as relações entre tecnologia, práticas culturais e mudanças sociais a partir da história do livro.
A disciplina funciona em regime de avaliação contínua. Além de um teste (50%), a avaliação inclui os dois exercícios seguintes: a) descrição bibliográfica de um livro antigo (anterior a 1800) a partir de um repositório digital (25%); b) criação de uma maqueta de um livro de artista, acompanhada da respectiva sinopse (25%). NB: Os sumários podem ser consultados na plataforma Web-On-Campus (WOC), no endereço https://woc.uc.pt/fluc/
1. Introdução à história do livro
1.1 O que é o livro? As múltiplas dimensões do livro
1.1.1. Como artefacto material
1.1.2. Como estrutura conceptual
1.1.3. Como tecnologia de comunicação
1.1.4. Como mercadoria
1.1.5. Como lugar de leitura
1.2. O que é o estudo do livro? As múltiplas dimensões da historiografia do livro
1.2.1. A tecnologia e a economia do livro: o estudo da produção e da distribuição
1.2.2. Os agentes e os circuitos do livro: autores, copistas, iluminadores, editores, tipógrafos, encadernadores, livreiros, leitores, programadores, designers, etc.
1.2.3. As instituições do livro: scriptoria, tipografias, escolas, universidades, livrarias, bibliotecas, etc.
1.2.4. A sociologia do livro: o estudo da autoria e da leitura; formas, géneros e práticas
1.2.5. A história do livro como história social e cultural
1.3. Três momentos na história do livro
1.3.1. Os manuscritos
1.3.2. O livro impresso
1.3.3. O livro digital
2. Os manuscritos
2.1. Livros e bibliotecas na Antiguidade
2.2. O volumen e o codex
2.2.1. Materiais suportes de escrita: papiro, pergaminho e papel
2.3. O livro no milénio medieval
2.3.1. Génese e produção dos codices
2.3.1.1 Scriptoria e bibliotecas
2.3.1.2. O caso português
2. 4. O livro e as universidades europeias
2. 5. A laicização do livro
3. O livro impresso
3.1. Os primitivos incunábulos
3.2. A imprensa e o Humanismo
3.3. A situação portuguesa
3.4. O livro nos séculos XVII e XVIII
3.4.1. Regulação comercial e controlo político
3.4.2. Imprensa e transformações culturais (protestantismo, revolução científica, nacionalismo)
3.5. A industrialização da imprensa nos sécs. XIX e XX
3.5.1. A expansão da leitura
3.6. As múltiplas formas do livro: do livro de bolso ao livro de artista
3.6.1. O livro como objecto e como conceito
4. O livro digital
4.1. Remediação e transformação do códice
4.1.1. A transposição de formas e géneros bibliográficos para o meio digital
4.1.2. O hipertexto electrónico como remediação de estruturas bibliográficas
4.1.3. O livro digital como objecto inter- e multimédia
4.2. Características da textualidade digital
4.2.1. Iconicidade e topograficalidade
4.2.2. Cinetismo e temporalidade
4.2.3. Associação e hierarquia no hipertexto electrónico
4.2.4. A distribuição em rede
4.3. O espaço de escrita e de leitura electrónico
4.3.1. O pixel como unidade mínima e o écran como mapa
4.3.2. A hiperligação como estrutura meta-informativa
4.3.3. A reinscrição como propriedade da página electrónica
4.3.4. Alterações na ecologia da autoria, da edição e da leitura
4.4. O futuro do livro
Bibliografia
Alturo i Perucho, Jesus (2003). Historia del llibre manuscrit a Catalunya, Barcelona: Generalitat de Catalunya.
Anselmo, Artur (1981). Origens da Imprensa em Portugal, Lisboa: Imprensa Nacional.
Anselmo, Artur (2002). Livros e Mentalidades, Lisboa: Guimarães Editores.
Bebiano, Rui (1999). ‘A Biblioteca Errante: Itinerários da Leitura na Era Digital’, in Revista de História das Ideias, Vol. 20, pp. 471-494.
Bolter, Jay David (2001). Writing Space: Computers, Hypertext, and the Remediation of Print, Mahwah, New Jersey, Lawrence ErlBaum Associates Publishers [nova edição revista; 1ª ed. 1991].
Catálogo dos Códices da Livraria de Mão do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra (Coord. Aires A. NASCIMENTO e Francisco MEIRINHOS), Porto, 1997.
Chartier, Roger (1997). A Ordem dos Livros, Trad. Leonor Graça. Lisboa: Vega [1ª ed. francesa, 1994].
Dain, Alphonse (1975). Les manuscrits, Paris, Les Belles-Lettres [3ª edição].
Darnton, Robert (2009). “Google & the Future of Books”, in The New York Review of Books, Volume 56, Number 2, February 12, 2009, pp. 9-11. http://www.nybooks.com/articles/22281 (consulta: 09 Fev 2009)
Eco, Umberto (2003). ‘Vegetal and Mineral Memory: The future of books’, in Al-Ahram Weekly, Issue No. 665, 20-26 November 2003, disponível em linha em http://weekly.ahram.org.eg/2003/665/bo3.htm (consulta: 01-09-2008)
Eisenstein, Elizabeth L. (1993). The Printing Press as an Agent of Change: Communications and Cultural Transformations in Early-Modern Europe. Cambridge University Press [1ª ed. 1979]. [Nota: desta obra existem traduções em castelhano e em francês, mas não em português.]
Faria, Maria Isabel e Maria da Graça Pericão (2008). Dicionário do Livro: Da Escrita ao Livro Electrónico, Coimbra: Almedina.
Finkelstein, David & Alistair McCleery, orgs. (2002). The Book History Reader, London: Routledge.
Furtado, José Afonso (2007). O Papel e o Pixel. Do Impresso ao Digital: Continuidades e Transformações. Lisboa: Ariadne Editora.
Glenisson, Jean (dir.) (1988). Le livre au Moyen Âge.Turnhout: Brepols.
Gomes, Saul António (2007). In limine conscriptionis. Documentos, chancelaria e cultura no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra (Séculos XII a XIV), Viseu, Palimage.
Iluminura (A) em Portugal. Identidade e Influências (Dir. Maria Adelaide Miranda), Lisboa, 1999.
(*) Labarre, Albert (2005). História do Livro, Lisboa, Livros Horizonte, 2005.
Lemaire, J. (1989). Introduction à la Codicologie, Paris.
(*) Manguel, Alberto (1998). Uma História da Leitura, Trad. Ana Saldanha, Lisboa: Presença, 1998 [1ª ed. inglesa 1996].
Martin, Henri-Jean & Lucien Febvre (2000). O Aparecimento do Livro, Trad. de Henrique Tavares e Castro, Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.[1ª edição francesa, 1958].
McLuhan, Marshall (1971): The Gutenberg Galaxy: The Making of Typographic Man. London: Routldege and Kegan Paul [1ª ed. 1962].
McMurtrie, Douglas C. (1982). O Livro. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2ª ed.
Petrucci, Armando (1995). Writers and Readers in Medieval Italy. Studies in the History of Written Culture, London: Yale University Press.
Portela, Manuel (2003). ‘Hipertexto como Metalivro’, in Ciberscópio, <http://www.ciberscopio.net/artigos/tema2/clit_05.html> (consulta: 01-09-2008)
Portela, Manuel (2005). ‘Essa Estória da História Livro’ in Biblos, 2ª série, Vol.III, pp. 85-112.
Portela, Manuel (2005-2008). DigLitWeb: Digital Literature Web, sítio web no endereço http://www.ci.uc.pt/diglit
Ramada Curto, Diogo (dir.) (2003). Bibliografia da História do Livro em Portugal. Lisboa: Biblioteca Nacional.
Ribeiro, Maria Manuela Tavares (1999). ‘Livros e Leituras no Século XIX’, in Revista de História das Ideias, Vol. 20: 187-227.
Ruiz Garcia, Elisa (2002). Manual de Codicologia, Madrid: Fundacion German Sanchez Ruipérez [2ª edição].
Santos, Maria José Azevedo (1994). Da Visigótica à Carolina. A Escrita em Portugal de 882 a 1172. Aspectos Técnicos e Culturais, Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.(*) Obras introdutórias de leitura obrigatória.