0. Resumo do texto em português
1. Introduction
2. Scope, results and publication of EDP's <<direct
dating project>>
3. Phillips's 36Cl dating
4. Dorn's AMS dating of organic matter encapsulated
in weathering rinds
5. Watchman's AMS dating of organic matter encapsulated
in mineral accretions
A <<DATAÇÃO directa>> das gravuras do vale
do Côa por quatro especialistas em métodos cronométricos
fundamentou a rejeição, pela empresa construtora da barragem
que ameaça destruí-las por submersão, da cronologia
paleolítica unanimemente atribuída a essas gravuras por arqueólogos
de todo o mundo. Os resultados obtidos por esses especialistas são
no entanto contraditórios, e apenas servem para pôr a nu as
fragilidades teóricas e práticas dos métodos utilizados.
A determinação, através da medição do
respectivo teor em 36Cl, do tempo de exposição à radiação
cósmica das superfícies gravadas, é um método
que está ainda em fase experimental de desenvolvimento, pelo que,
quaisquer que venham a ser os resultados obtidos (o especialista em causa,
F. Philips, ainda não apresentou relatório final), eles nunca
poderão ser considerados como estimativas fiáveis da idade
máxima das gravuras. A aplicação do radiocarbono à
determinação da idade das crostas minerais ou das películas
superficiais de alteração das rochas gravadas, por forma a
obter, em função da relação estratigráfica
das gravuras com essas formações, estimativas das respectivas
idades mínima e máxima, não leva em conta que se trata,
do ponto de vista da química do carbono, de sistemas abertos e não
de sistemas fechados, pelo que os rácios 12C/14C das amostras analisadas
não têm qualquer valor cronológico. Os resultados obtidos
pelos dois especialistas que usaram o radiocarbono estão além
disso em contradição total e absoluta, uma vez que, para A.
Watchman, as gravuras seriam todas posteriores a 250 A.D., enquanto que,
para R. Dorn, elas seriam todas anteriores a 19 A.D. O quarto especialista,
R. G. Bednarik, recorreu à análise da micro-erosão
dos sulcos gravados embora, como ele próprio admitiu, o método
não possa ser aplicado nos xistos do Côa, tanto por causa da
sua estrutura e composição mineralógica das rochas
como por causa da inexistência de uma curva de calibração
local. A sua opinião sobre a cronologia recente das gravuras baseia-se
apenas em critérios estilísticos e contextuais totalmente
infundados. A correcta aplicação de critérios deste
tipo mostra que não é possível que as gravuras estilisticamente
paleolíticas do Côa datem de época posterior a 10.000
BP, isto é, ao final do Paleolítico Superior. A validade destes
critérios está confirmada, para a arte paleolítica
de França e da Península Ibérica, pelos resultados
da datação directa, pelo radiocarbono, de mais de duas dezenas
de pinturas em gruta. Não há por isso qualquer razão
válida para pôr em causa a cronologia estilística da
arte paleolítica do vale do Côa.
PALAVRAS-CHAVE: Arte paleolítica - Vale do Côa - Datação
de petróglifos
Autor: João Zilhão
Título: The stylistically Paleolithic petroglyphs of the Côa
valley (Portugal) are of Paleolithic age - A refutation of their <<direct
dating>> to recent times.
Site: As gravuras paleolíticas do vale do Côa
Endereço: http//www.uc.pt/fozcoa/turim.html
Data de edição: Maio 199
Local de edição: Coimbra
Processamento html e grafismo:António
J. M. Silva