A Comédia do Verdadeiro Santo António que Livrou seu Pai da Morte em Lisboa é a sexta peça de Teatro Popular Mirandês levada à cena pelo
GEFAC e a primeira de cariz religioso. Incluída no segundo volume do livro
Teatro Popular Mirandês, editado pelo GEFAC e pela Almedina em 2005,
pretende dar continuidade ao trabalho desenvolvido pelo organismo nesta
área. Este texto revela, em primeiro lugar, a importância histórica que a
figura do Santo António assumiu, e ainda assume, junto da população
portuguesa. Em segundo lugar, temos o "Santo". Os milagres que o canonizaram
misturam-se com a lenda, os mitos e a história. O teatro mirandês não
esquece esses legados e, através de uma linguagem sui generis, retrata
alguns episódios da biografia deste homem que, segundo as fontes, nem é de
Pádua, nem é de Lisboa. Este é um projecto teatral que se apresenta, pelas
suas características e especificidades, como um legado que é necessário
preservar e divulgar, não só em Coimbra como no resto do País.
Esta peça entronca na herança do teatro religioso, em voga na Idade Média, no espaço europeu. Durante esta época pequenas encenações (Mistérios, Moralidades, Milagres, entre outras) que incluíam cânticos e danças, dão forma a narrativas bíblicas, procissões e cultos hagiográficos. Estas manifestações, desenvolvidas inicialmente sob os auspícios da Igreja, funcionavam como um instrumento de reiteração da fé e um meio de moralização de costumes. Dado o cariz licencioso que começou a impregnar estas representações a Igreja proibiu, nos actos de culto, folias, bailes e semelhantes expressões populares que, de acordo com a sua deliberação, profanariam os templos. Assim o teatro é projectado para fora do espaço e tempo sagrados, passando a ser representado nos adros e pórticos das Igrejas e outros espaços, e adquirindo uma maior independência do calendário litúrgico. Juntamente com a decrescente utilização do latim, a prática teatral adquire novos contornos estéticos que a aproxima de uma arte mais democrática.
O GEFAC estreou esta peça em 1 de Maio de 2007.
Ficha Artística/Técnica
Concepção artística: GEFAC
Máscara de "Lusbel": António Jorge
Cenografia: Mafalda Moreira
Operação de Luz: Filipa Cabrita
Carpintaria: Laurindo Fonseca
Serralharia: Carlos Batista
Produção: GEFAC, 2007
Para Digressão
Condições Gerais do Espectáculo
Cartaz do espectáculo (grafismo: Henrique Patrício, Cláudio Vidal)