
COIMBRA
Coimbra é uma cidade
rica em património histórico e natural.
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Sé Nova
Fundada pelos Jesuítas em 1598 e construída ao
longo dos séculos XVII e XVIII, a Sé Nova de Coimbra apresenta características das
igrejas da companhia de Jesus. A sobriedade, austeridade e elegância das igrejas desta
ordem são visíveis no interior e na 1ª fase da construção da fachada fiel ao
protótipo romano, que foi finalizada já ao gosto barroco, fugindo ao modelo e estilo
inicial.
São de realçar as duas torres sineiras, as
pilastras dóricas do corpo inferior da fachada e as jónicas do corpo superior. O
interior da igreja, de planta longitudinal é sóbrio, espaçoso e funcional, incorporado
numa abóboda de caixotões, órgãos neoclássicos do século XVIII e, no cruzeiro, uma
cúpula semi-esférica. O cadeiral em pau preto do século XVII e a pia baptismal
manuelina são legados originários da Sé Velha. A igreja é um notável repositório de
altares de talha representativa de vários estilos e épocas, patentes na capela-mor, nas
capelas laterais da nave e no transepto. Na capela-mor, um retábulo de tábua dourada de
finais do século XVII, da autoria de Jerónimo Luís, diferencia-se dos retábulos com
pinturas e esculturas das capelas da nave e dos policromados do transepto.
Sé Velha
Entre a baixa e a alta coimbrã irrompe um dos mais
belos monumentos românicos portugueses edificados, em 1162, quando o rio Mondego servia
de fronteira entre cristãos e muçulmanos: a Sé Velha. Foi nela que D. Pedro, em 1360,
ter-se casado em segredo com D. Inês de Castro, assassinada 5 anos antes, em Coimbra. A
sua fachada, sólida, com remate em ameias, é um dos traços de igreja-fortaleza
preservada durante séculos. O seu interior, em contraste com o aspecto externo, devido à
variedade de estilos que incorpora é composto por três traves naves das quais sobressai
a central, a mais alta, coberta por uma abóbada de meio canhão. A cúpula é iluminada
por uma bela lanterna gótica. Do notável conjunto de esculturas dos séculos XII, XIV e
XVII, destacam-se, no 1º andar, as de S. João Baptista, e Isaías e, no andar superior os
bustos dos evangelistas. A porta Especiosa, uma das 1as obras da renascença
clássica em Portugal, e a capela do sacramento, ambas da autoria de João de Ruão, datam
de século XVI. O retábulo da capela mor em gótico flamejante de 1508, feito pelos
flamengos Jean de Ypres e Oliver de Gant, consagra-se à "Assunção da Virgem
Maria". Realce para os azulejos hispano-árabes, da oficina Quijarro (Sevilha, 1503)
e para as telas que representam "Santa Ursula junto das companheiras
martirizadas" e "Santo António de Lisboa a quem aparece a Virgem com o
menino".
Duas cenas bíblicas em baixo relevo " o
baptismo de Cristo" e "Moisés salvo das águas" decoram a pia
baptismal manuelina. Na capela de S. Pedro, da autoria de Nicolau de Chanterene,
encontra-se o túmulo raso de D. Jorge de Almeida, bispo de Coimbra. Nas capelas laterais
jazem outras grandes personagens da história coimbrã. O claustro gótico mandado fazer
por D. Afonso II, no século XIII, é o mais antigo de Portugal sendo formado por 4
galerias abobadadas e algumas capelas.
Igreja de Santa Cruz
Fundada no reinado de D. Afonso Henriques (século
XII) por D. Telo e D. João Peculiar, cónegos regrantes de S. Agostinho.
Define-se como uma construção religiosa românica,
manuelina e renascentista, por força das várias intervenções a que teve sujeita ao
longo do tempo. Na fachada, duas torres quadrangulares enquadram o postal exuberantemente
decorado em 1523, da autoria de Diogo de Castilho e escultura de João de Ruão e de
Nicolau de Chanterene. O corpo da igreja, nave única com duas capelas laterais, data,
também, da 1º metade do século XVI, sendo o magnífico abobadamento manuelino da
autoria do mestre Boutaca. Os azulejos historiados, barrocos e monocromáticos da nave
são alusivos a Santa Cruz e à vida de Santo Agostinho. Destaque para o órgão barroco
de 1719/1724 da autoria do mestre Lorete. A sacristia interessante obra maneirista de
Pedro Nunes Tinoco donde se realçam as telas dos grandes mestres Cristóvão de
Figueiredo e Grão Vasco, comunica com a sala do capítulo e coma capela de Santo António
de estilo renascentista. A capela-mor de abóbada manuelina foi o local escolhido por D.
Afonso Henriques e D. Sancho I, seu filho, para a sua sepultura. Os seus túmulos
medievais, transformados, no reinado de D. Manuel em túmulos manuelinos com jassentes, da
autoria de Nicolau de Chanterene,, a quem também se deve o púlpito
renascentista de
1521. Referência ao claustro do silêncio obra prima manuelina de Manuel Pires,
onde em 1834, com a extinção das ordens religiosas se instalou no 1º piso a biblioteca
municipal e ao arco triunfal do início do século XIX. Subindo ao coro, avista-se
um importante e singular cadeiral manuelino da autoria de Machin, decorado com motivo
apoteóticos dos descobrimentos.
Actualmente, as antigas instalações do lagar do
mosteiro albergam a sociedade de cerâmica antiga de Coimbra.
Arco de Almedina
No extremo da movimentada rua Ferreira Borges que
conduz ao largo da Sé Velha, encontra-se envolvido por casario, o pormenor melhor
conservado da antiga muralha de Coimbra: o arco de Almedina.
Situado na baixa coimbrã foi, no século XII, a
mais importante das três portas da cidade. O facto do arco, embora de origem medieval,
apresentar fecho em ogiva, justifica-se por ter sido objecto de reconstrução no reinado
de D. Manuel. Ligando um pátio à ladeira de quebra-costas, aporta de Barbacã destaca-se
pela escultura renascentista de João de Ruão. Do lado do pátio avista-se, sobre o arco
ligeiramente quebrado um nicho com o escudo da cidade, mandado colocar por D. Manuel, onde
se representa um busto de princesa ladeada por um dragão e um leão. Inserido um
rectângulo, figura, também, o escudo nacional encimado por um oratório. Lateralmente
rasga-se uma janela rectangular com um varandim de ferro.
A título de curiosidade, o arco trespassa a base da
Torre de Relaçom, onde uma sineta dava à população, até 1870, o sinal de recolher aos
muros.
Torre de Anto (Rua de Sub-Ripas)
Torre de origem medieval integrada na antiga cerca
de Coimbra. Foi transformada em habitação nos finais do século XIX, tendo nela
residido, quando estudante, o poeta que a "baptizou" e garantiu a sua
imortalidade, António Nobre. De planta quadrangular, apresenta-se como um
paralelepípedo
com 4 pisos ligados por uma estreita escada em caracol, sendo a sua cobertura um telhado
de 4 águas. A cantaria exterior mantêm-se quase intacta. A porta de entrada e as janelas
das fachadas ostentam verga em arco quebrado.
Paço de
Sub-Ripas (Rua de Sub-Ripas)
Construção de arquitectura civil manuelina cujo
berço, na 1ª metade de século XVI, coincidiu com as obras de adaptação da torre
medieval a habitação. Integrado na cerca de Coimbra, entre a porta de Almedina e a Torre
de Anto, o palácio quinhentista. É construído por vários corpos proeminentes. Na
fachada principal é um regozijo contemplar o magnífico portal manuelino coroado por uma
moldura dentro da qual sobressai uma cruz corroída de troncos.
Este é ainda enquadrado por
colunemos e sobrepujado por um nicho em arco. As janelas renascentistas, os mata cães, os
sinuosos vãos manuelinos e os medalhões da oficina de João de Ruão - situada segundo a
tradição, apenas uns metros acima - prefiguram os elementos de maior relevo no
edifício. No seu interior, uma escada de ligação entre os três pisos permite aceder
às várias salas. O edifício, que já fora pertença da distinta família Perestrelo,
só foi vendido ao Estado em 1974.
Jardim Botânico
Aquando da reforma pombalina da Universidade, foi fundado com fins
científicos, sob os auspícios do Marquês de Pombal, aquele que, pela diversidade e
importância dos milhares de espécies botânicas que reúne, é considerado um dos mais
ricos e belos jardins do país.
A sua instalação, em 1773, nos terrenos anexos ao colégio de São
Bento, entre o aqueduto de S. Sebastião e o actual Hospital militar, fica a dever-se às
diligências de Vandelli, Della-Bella, Guilherme Elsden, Avelar Brotero e posteriormente,
de Júlio Henriques.
Na entrada principal, o visitante é logo surpreendido por duas
belas obras de Soares dos Reis: o pórtico, constituído por pilares com colunas dóricas,
e a estátua do botânico Avelar Brotero. na parte mais alta do jardim, seis terraços
ajardinados, em anfiteatro, fazem parte de um conjunto formado por escadarias, lajes,
canteiros, tanques e fontes. Uma mata mais intensa compõe a parte situada, mais abaixo,
junto à ravina do lado do Mondego. O jardim é delimitado, na sua grande parte, por uma
imponente cerca com gradeamento de ferro, donde se destaca a monumental vedação, com
pilastras dóricas coroadas por urnas, que dá para a Alameda Dr. Júlio Henriques.
Jardim da Manga
Integrada no Mosteiro de Santa Cruz, esta construção de carácter
utilitário provavelmente encetada em 1530, segundo o plano reformista de D. Frei Brás de
Braga, é atribuída a João de Ruão. Baseada nas casas de fresco italianas e aparentando
planta circular, corresponde ao que resta da arquitectura do antigo claustro do mosteiro.
É constituída por um templete central rodeado por quatro
capelas ou oratórios a ele ligados por passarelas, e no interior das quais se encontram
alguns retábulos de pedra. Sobre o entablamento das oitos colunas coríntias que compõem
o templete, eleva-se uma abóbada esférica rematada por um lanternim. Do templete partem
ainda quatro ruas que recortam o terreno livre do claustro, em torno das quais se sucedem
pequenos tanques.
Jardim de Santa Cruz
Antiga floresta de consolo dos cruzados, este parque seria
significativamente embelezado no tempo de D. João V, sob a orientação de Frei Gaspar da
Encarnação. Mais tarde, em 1941, seria consideravelmente desbastado por uma descarga
ciclónica.
Actualmente, compreende um viçoso jardim que remonta ao século
XVIII. nele sobressaem a Fonte da Nogueira e a Ponte da Sereia entre espessa arborização
disposta, em redor do lago redondo. Como adro o parque apresenta o local do "Jogo da
Bola", cujo acesso é feito pelo lado da praça, por entre três arcos ladeados por
dois estandartes aguçados e sobrepostos pelas estatuetas esculpidas da Fé, Caridade e
Esperança. Em cada arco está dependurado um candeeiro em ferro forjado. No parque
encontra-se ainda um escadório intercortado por degraus com pequenos jogos de água e
bancos com remates em azulejo, em tons de branco e azul, com cenas alusivas à caça,
paisagens e danças de animais.
Como preciosidade botânica integra a "Alameda de
Loureiros" (Laurus indica) que aprazem com o seu odor.
Museu Machado de Castro
O Museu Nacional de Machado de Castro,
tal como o antigo Paço Episcopal e a igreja de S. João de Almedina, estão assentes
sobre um criptopórtico romano. Esta estrutura, terá sido construída para anular o grande
declive da encosta, da colina, e assim, criar uma zona onde pudesse ser edificado o
fórum
imperial.
Esta imponente estrutura, é constituída por duas galerias
sobrepostas de grandes dimensões, 32,6 metros por 45,7 metros, em que a parte superior
apresenta uma planta com dois corredores e um conjunto de celas dispostas paralelamente. A
sua construção, foi situada, segundo Vergílio Correia, entre os séculos III e IV d.C.,
no entanto, Jorge de Alarcão considera-a mais antiga.
A investigação deste edifício ainda está a decorrer. Juntamente
com as escavações, procura-se a confirmar que o criptopórtico constituía parte do
conjunto do fórum de Aeminium.
Durante as obras de desaterro e restauro, entre os achados, foram
encontradas quatro cabeças de estátuas de mármore. Estas representam Agripina,
Vespasiano, Trajano e talvez uma sacerdotisa. Contudo, no entulho, foi encontrado louça
de vários períodos, desde a época romana até ao Renascimento, o que nos leva a crer,
que estas galerias teriam sido tapadas por volta do século XVI.
Universidade de Coimbra
A Universidade encontra-se situada na mais elevada colina
da cidade, em posição sobranceira ao Mondego.
Fundada pelo rei D. Dinis com a colaboração do
prior de Santa Cruz, do abade de Alcobaça e outros eclesiásticos, estabeleceu-se
primeiramente em Lisboa com o nome de "Estudo Geral". A 13 de Agosto de 1290 foi
sancionada por bula do papa Nicolau IV. É transferida para Coimbra em 1308 e aqui o
monarca D. Dinis concede-lhe o "fórum" académico. D. Afonso IV haveria de
voltar a transferi-la para Lisboa, de onde regressaria em 1354. Este vai-vem continua e D.
Fernando voltaria a mudá-la para Lisboa até que D. João III em 1537a instalou
definitivamente em Coimbra.
Aqui, instalou-se no antigo paço medieval que,
durante os reinados de D. Manuel I e de D. João III, sofreu grandes remodelações de
maneira a tornar-se mais cómoda e adequada ás suas novas funções.
Foi D. João III quem ofereceu o Palácio da
Alcáçova para aí se leccionarem algumas disciplinas, no entanto, mais tarde,
transferiram-se para esse local todas as aulas universitárias.
Mais tarde os edifícios passaram para propriedade da
Universidade (1597), no âmbito da compra que a instituição fez ao monarca espanhol D.
Filipe III (II de Portugal), que então reinava em Portugal.
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