VIVÊNCIAS

 

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Fadistas    Ao longo das gerações, gerou-se e desenvolveu-se em Coimbra um conjunto de tradições académicas ao qual se deu o nome de praxe.

Aquando da instalação da Universidade, notou-se de imediato uma diferença no viver citadino do autóctone e dos estudantes.

    El-Rei D. Dinis ordenou que, quem não fosse estudante não poderia penetrar na actual "Alta" da cidade, o que corresponde à parte acima da Porta de Almedina. De igual forma, ordenou também as horas de estudo, determinadas pelo toque do sino grande da Sé, que bradava três vezes.

    Desta forma se dividiu a urbe, a Alta, corresponde à parte estudantil, a Baixa era habitada por comerciantes e artesãos.

    O que ainda hoje persiste, inalterável, do passado é o toque do sino para as aulas. Pitorescamente foi chamado de "Cabra", uma vez que o som emitido não era o mais querido dos estudantes. Para além de anunciar as aulas, a "Cabra", determinava também a hora de recolher a casa para o estudante. Entre as 18:00 h e as 7:00 h nenhum estudante podia ser encontrado na rua, caso contrário, a polícia universitária (actuais archeiros), detia o estudante e conduzia-o à cadeia académica.

    Existe ainda um outro sino, o "Cabrão", unicamente usado em doutoramentos ou ocasiões festivas.

    Com a extinção da polícia académica começam a surgir as Trupes. Este conjunto de indivíduos tinham por objectivo, punir as infracções cometidas pelos estudantes, nomeadamente pelos estudantes mais novos. O castigo mais aplicado era o "rapanço" e a "sanção de unhas". Como instrumentos característicos tinham: a tesoura, a colher de pau e a moca (ainda hoje assim acontece).

    Como em qualquer outra instituição, também na Universidade existia uma hierarquia (a actual com designações diferentes) que tinha como base o número de anos que o estudante frequentava a Universidade. Assim:

  • CALOIRO
  • PASTRANO
  • PÉ DE BANCO
  • CANDEEIRO
  • QUINTANISTAS

    Existem, actualmente, sete faculdades na Universidade de Coimbra, correspondendo a cada uma determinada cor: Letras (azul escuro), Direito (vermelho), Medicina (amarelo), Ciências (azul-claro), Farmácia (roxo), Economia (vermelho e branco) e, por último, Psicologia (laranja).

    Relativamente às festas académicas é de salientar a Latada, onde o caloiro desfila pela cidade sendo submetido às mais diversas tropelias, e a Queima das Fitas, o ponto mais alto das festas académicas em Portugal.

 

Cartaz da Latada    "As 'latadas' remontam ao século XIX quando os estudantes exprimiam ruidosamente a sua alegria pelo termo do ano lectivo — em Maio. Utilizavam para tanto todos os objectos que produzissem barulho, designadamente latas...

    Durante os 3 primeiros dias que antecediam as férias de ponto ninguém na Alta (Bairro Latino) tinha sossego. Das instituições académicas subsistentes foi das que melhor testemunhou o longo processo evolutivo, porquanto chegou quase aos nossos dias ligada simultaneamente à cerimónia de imposição de insígnias e à iniciação dos caloiros (baptismo).

    Como a "queima", as "latadas" representavam um modo de reconhecer a autenticidade das instituições e o poder político decorrente da legitimidade saída de uma sociedade fortemente tradicionalista."

    (in "A Sociedade Tradicional Académica Coimbrã" de A. R. Lopes).

    Nos anos 20, as latadas ocorriam no final do ano lectivo, para remate das festas da "Queima das Fitas".

    Foi a partir dos anos 50/60 que as latadas passaram a ocorrer não no termo do ano lectivo mas sim no início, coincidindo com a abertura da Universidade e a chegada da população escolar de férias, o que dava à cidade um clima eminentemente académico.

    "Depois da cerimónia da imposição das insígnias (grelo, fitas) organizavam-se tantos cortejos quantas as Faculdades, em dias diferentes."

    (in "A Sociedade Tradicional Académica Coimbrã", de A. R. Lopes).    

    Após 1979, passou-se a realizar apenas uma cerimónia de imposição de insígnias e um cortejo englobando todas as Faculdades.

    Os caloiros, incorporados no cortejo, vestem-se consoante a fantasia pessoal ou com a batina do avesso, transportando cartazes com legendas de conteúdo crítico, alusivos à vida circulum-escolar e/ou nacional sem excluir a internacional.

 

Serenata A Queima das Fitas de Coimbra é tida por todos como a maior manifestação estudantil que ocorre em Portugal, tal é a grandiosidade de que se reveste o acontecimento. Começa com a tradicional Serenata Monumental no Largo da Sé Velha, passa pela sempre hilariante Garraiada na Praça de Touros da Figueira da Foz e tem o seu ponto alto no Cortejo dos Quartanistas.

    A realização das festividades académicas no termo do ano lectivo perde-se no tempo".

    (in "A Sociedade Tradicional Académica Coimbrã" de A. R. Lopes)

    A Queima das Fitas consiste para os Quintanistas Fitados e Veteranos, na solenização da última jornada universitária ou seja o derradeiro trajecto de vivência coimbrã. Para os restantes corresponde a uma nova definição de grau.

 

Cartaz da Queima das Fitas    

A Queima das Fitas é a explosão delirante da Academia. Os Caloiros emancipam-se — daí tombarem da testa os "cornos" que os "obriga" a pôr os pensos na testa — e os outros sobem um grau hierárquico da PRAXE.

    O Cortejo dos Quartanistas é parte integrante da Queima das Fitas da Universidade de Coimbra, constituindo o expoente máximo do pulsar da vida académica tradicional. Nele se integram a maioria dos estudantes da Universidade de Coimbra.

 

 

 

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