A Arte do Século XIX

Do século XVI ao Século XIX, o Japão permanece absolutamente isolado e fechado às influências ocidentais. Um brilhante civilização, de artesanato refinado,  desenvolve-se, especialmente na capital, Edo. No séc. XIX, subjugando-se à pressão da colonização inglesa e americana, o Japão vai ser obrigado a abrir-se. Sob o comando dos ocidentais, o antigo sistema social japonês (no qual a classe mais prestigiada era a dos "samurais") dilui-se.

Em 1867, uma revolução interna  instala no trono o imperador Mitsu-Hito, que proclama a era "Meiji" e detremina a abertura do país a influências externas. Então, a antiga capital Edo toma o nome de Tóquio.

O Japão apropria-se velozmente das técnicas industriais ocidentais. para a construção de pontes, a pedra substituiu a madeira. A Prússia, potente e pesadamente militarizada, serve de modelo ao Japão.

Esta metamorfose do país é expressivamente representada nas chamadas "estampas de transição". Algumas mostram inclusivamente marcas ocidentais como as máquinas de cozer Singer.

Nos anos 1860-1870 os objectos de arte provenientes do Japão afluem à Europa, suscitando, em todo o continente, um real fascínio pela arte japonesa. O fenómeno será apelidado de "Japonismo-mania". O fenómeno designa os empréstimos benéficos que a arte japonesa fez à europeia, em oposição das "japonerias", expressão utilizada para nomear as influências superficiais e inúteis.

A influência da arte japonesa manifesta-se sobretudo por uma simplificação das cores e da perspectiva. Um processo em algo semelhante ao dos impressionistas.

Muitas pinturas de artistas ocidentais fazem parte do "Japonismo", não se tratando, no entanto, de uma cópia do Japão por parte da Europa, mas sim de um encontro entre as duas culturas. 

 

 

 

 

 

 

A técnica da estampagem vem da China, onde estas obras eram utilizadas sobretudo com fins religiosos. No Japão, pelo contrário, são sobretudo peças de decoração, representando cenas da vida quotidiana, de temas na moda ou populares. 

Fruto de um trabalho colectivo (artesãos que gravam, desenhadores), as estampas são colocadas à venda por editores que financiam todo o processo de fabrico. Estas peças tronam-se extremamente populares junto da população japonesa, principalmente devido ao seu baixo preço.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

As características principais das estampas japonesas são as seguintes.

- todo o sujeito é representado dentro de um contorno, devido ao trabalho na prancha de madeira.

- a sombra, a profundidade e a terceira dimensão estão ausentes. O motivo é constituído unicamente por camadas de cor.

- os tons, em geral doce e refinados, são obtidos a partir de colorantes naturais, como o rosa ou o verde azeitona. 

- as estampas são de dimensões reduzidas, sendo o formato mais corrente o "oban".

- a estampa associa imagem e escrita, desenho e caligrafia, havendo estampas que têm um poema a acompanhar a imagem, referindo-se ao motivo desta.

As estampas produzidas neste período são de três tipos: as estampas de "raparigas bonitas", cujos autores são Harunobu e Outamaro; as estampas de teatro, de Shuraku e Kunisada e as estampas de paisagem, realizadas por Hokusai e Hiroshige.

 

 

No Japão, as estampas, a baixo custo, não têm valor e os japoneses deixam-nas partir em enormes quantidades para o Ocidente. 

A partir de 1865, elas chegam à Europa como embalagens de pequenos objectos (marfim ou leques, por exemplo). No entanto, muito rapidamente, estes "tecidos" conhecem um grande sucesso tanto em França como em Inglaterra. Os coleccionadores multiplicam-se, nomeadamente os irmãos Goncourt ou Vincent Van Gogh.

A "Japonismo-mania" não se refere somente à arte, mas a toda a vida mundana. Assim, os europeus organizam bailes de máscaras, onde os fatos têm de ser obrigatoriamente de influência japonesa, especialmente os famosos "kimonos".

O "Japonismo", que retrata acima de tudo um estado de espírito, pode tornar-se facilmente em "japoneria", que é constituída por um entusiasmo um pouco excessivo pelo temas nipónicos.

Numerosos artistas foram "apanhados" na teia desta "mania", como Manet (Portrait de Emile Zola,1868), Tissot (La Japonaise au Bain,1864) ou Monet, um grande admirador de estampas.

Este último pintou importantes obras influenciado pela arte japonesa como La Japonaise (1876), retrato da sua mulher vestida com um kimono importado, a posar em frente de um cenário de leques.

As próprias Nymphéas, o único tema do pintor nos últimos vinte anos da sua vida, relacionam-se directamente com as séries feitas por Hokusai.

Concluindo, não há uma imitação, mas sim um encontro entre uma arte exótica e a arte europeia. Um confronto semelhante terá lugar, uns anos mais tarde entre as máscaras "negras" e o cubismo.

 

 

 

 

 


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