Lenda da Reconquista do Castelo de Leiria

 

Quando D. Afonso Henriques se preparava para retomar o Castelo de Leiria, diz a lenda que, estando o exército Português numa saliência vizinha do monte onde se situa o Castelo, se avistou, em cima de um pinheiro, localizado entre dois campos inimigos, um corvo que batia as asas e grasnava freneticamente, redobrando essas manifestações quando os cristãos se lançaram ao assalto.

Isto foi entendido como sinal de bom agoiro e duplicou a valentia dos assaltantes, que em pouco tempo se apossaram do castelo.

Esta é a razão porque no brasão da cidade se observa um castelo sobre um campo verde entre dois pinheiros, cada um com um corvo em cima.

 

A Aldeia De Amor E A Sua Lenda Poética

 

«Foi o desvio amoroso por essa louçania de corpo delgado que deu origem à poética lenda com que se explica a toponímia da bucólica aldeia de tão sugestivo nome: aldeia de Amor - nos arredores litorâneos de Leiria.. Em seus passos de Leiria a abandonada real sofria com a suspeita dos devaneios del-Rei nas furtivas saídas do baiozinho para as bandas do litoral, porventura com o pretexto de inspeccionar a enorme floresta em que pusera tão subido interesse e donde não voltava se não tardiamente e a más horas...

Ora numa noite de lua nova, regressava o enamorado do seu abrigo de amor quando, no meio da escuridão, começou a ver surgir ao longo dos caminhos, ígneos e fantásticos vulcões de fogo, lumes espectrais que misteriosamente se erguiam e desfaziam no negrume da noite, espantando o baiozinho amedrontado e o cavaleiro que vertiginosamente corria em alucinante desfilada. Quando à chegada do palácio, ainda deslumbrado pela perseguição das chamas, El-Rei desmontou da sela do cavalo cujos músculos tremiam nervosamente sob a pele crispada e alagada de suor, deparou com Santa Isabel que voltava de rezar matinas na igrejinha castelã da Senhora

da Pena. E contou-lhe, assombrado ainda pela maravilha, a aparição dos fantásticos fogachos por entre cujos clarões vinha de fazer uma corrida desvairada. E logo Isabel, com um sorriso tímido na ingénua luz do seu olhar: -Senhor! Decerto seriam luzes para alumiar os vossos olhos que tão ceguinhos andam de amor...»

(Cortez Pinto, Diónisos, Poeta e Rey).