A Serpente do Rio Anas
Era uma vez.... a parte mais ocidental da Europa, a Ibéria, ainda era conhecida por esse mundo além, por a terra das Serpentes. Não sabemos se com razão ou sem ela, o que é certo é que a Serpente também entra na lenda da fundação de Serpa. Na verdade, vem de tempos muito recuados, dos tempos em que Serpa era só charneca, a lenda de que as suas terras e as das vizinhanças eram domínio de uma serpente alada, forte, vigorosa, que até parecia deitar lume pelas ventas e que vivia acoitada nas fragas do rio Anas,, hoje chamado Guadiana. Logo que sentia Serpa em perigo ela se aprestava para vir em socorro das suas terras, e as defendia, vitoriosamente, de quem viesse para lhes fazer mal. Deve ter tido muito que lutar, mas o certo é que Serpa sobreviveu a todos os perigos e hoje é uma vila bonita, muito castiça, que sabe guardar as suas belezas e tem uma Serpe no seu brasão a recordar a sua guardiã de outros tempos.
"Arquivos de Serpa - Edição Câmara Municipal de Serpa" ( João Cabral)
A Cobra da Quinta do Fidalgo
Era uma Vez.... uma dama muito linda, fidalga, chamada Ana, que estava encantada e transfigurada em cobra, diferente das outras cobras por apresentar uma cabeça com farta cabeleira e uns olhos de fogo, muito vivos e brilhantes. Refugiava-se a Cobra junto de uma frondosa figueira ali, na Quinta do Fidalgo, à entrada da Vila. Esta Cobra aparecia na manhã de S. João, com um tesouro, muito rico de ouro e prata, para dar à pessoa que a desencantasse. Para se dar o desencanto a Cobra dizia: " Eu não engano ninguém e quem for corajoso que venha desencantar-me". Na verdade era precisa muita coragem para se desencantar a cobra da Quinta do Fidalgo, como aqui se conta. Primeiro era preciso gritar o nome da dama encantada: "Ana".
Ao ouvir este nome a cobra transformava-se em touro que marrava a torto e a direito. Se o homem corajoso que chamasse pela dama "Ana" não mostrasse medo o touro transformava-se em Cão Preto. Se o homem continuasse a não manifestar receio o Cão Preto transfigurava-se em Cobra encantada que se aproximaria dele e se lhe enroscaria à cintura dando-lhe um beijo na face. Se o homem corajoso desse, então, sinais de medo ou repugnância a cobra mordê-lo-ia e o encanto continuaria. Se o homem valente não mostrasse qualquer temor dar-se-ia o desencanto, a cobra transformar-se-ia novamente na linda e nobre Senhora chamada Ana e o homem sem medo ficaria rico para toda a vida com o tesouro de ouro e prata.
Esta é a lenda da Cobra da Quinta
dos Fidalgos e há muitos anos que já se não fala nela. Ninguém sabe se apareceu
o homem sem medo que tenha desencantado a dama chamada Ana.