Mercúrio

O planeta Mercúrio é conhecido do Homem desde os tempos mais remotos, embora até aos Gregos se pensasse tratar-se de duas estrelas (tal como Vénus): Apolo, estrela da manhã e Hermes, estrela da tarde. Ao tempo de Heraclito, contudo, já se sabia que ambos os nomes se referiam ao mesmo planeta. Este astrónomo pensava, muito adiante dos conceitos do seu tempo, que Mercúrio e Vénus orbitavam o Sol e não a Terra.

Até 1962 pensava-se que o dia e o ano de Mercúrio eram iguais. Só então se soube que o planeta executa três rotações para cada duas translacções - o que é um caso único no Sistema Solar.

A órbita de Mercúrio é muito excêntrica, tendo o periélio a 46 milhões de km e o afélio a 70 milhões de km; só a órbita de Plutão é mais excêntrica.

Figura 1 – Mariner 10.

Devido à sua proximidade ao Sol, Mercúrio é o menos bem conhecido dos planetas telúricos. Por um lado, a sua elongação máxima de 28º dificulta a sua observação, quer a olho nu quer com instrumentos. Por outro lado, as elevadas temperaturas e fluxos de radiação que se verificam tão perto do Sol dificultam o envio de sondas científicas e impossibilitam até que se tente obter imagens com o Telescópio Espacial Hubble. Na verdade, as únicas imagens de Mercúrio de que dispomos são provenientes de observatórios terrestres ou da sonda Mariner 10 (Figura 1) que, em Março e Setembro de 1974 e Março de 1975 fez três passagens junto do planeta. Por estes motivos, apenas cerca de 45% da superfície de Mercúrio se encontra cartografada.

Figura 2 – Modelo da estrutura interna de Mercúrio. C. Hamilton.

Superficialmente, as imagens de Mercúrio fazem lembrar a Lua terrestre – pela superfície fortemente craterizada – mas os dois planetas são muito diferentes. Não só Mercúrio é maior (4880 km contra 3476 km de diâmetro) como muito mais denso (5.44 contra 3.34); o único planeta do Sistema Solar mais denso que Mercúrio é a Terra (5.52). Pensa-se que o núcleo metálico de Mercúrio terá 1800 a 1900 km de diâmetro e que parte dele se encontrará em fusão (Figura 2) - o que explicaria a existência de um campo magnético dipolar de origem interna, como o da Terra, mas muito mais fraco (cerca de 1%).

Uma importante diferença morfológica em relação ao nosso satélite é a existência, em Mercúrio, de longas escarpas, muito semelhantes às falhas da crosta terrestre, com centenas de quilómetros de extensão e até 3 quilómetros de altura. Estas escarpas são geralmente interpretadas como sendo fendas de retracção produzidas pela contracção do planeta em consequência do seu arrefecimento, embora seja possível que pelo menos algumas delas sejam vestígios de uma antiga tectónica activa (Figura 3).

Figura 3 – Note-se, do lado direito, o conjunto de crateras em forma de oito, que revelam pelo menos três episódios de craterismo. Ao centro é bem evidente a escarpa Discovery, a cortar uma cratera mais antiga com 55 km de diâmetro. NASA.

Apesar da proximidade do Sol (e por causa dela) Mercúrio tem uma atmosfera. Esta atmosfera é muito fina e é composta por uma mistura de átomos arrancados à superfície do planeta pelo vento solar e de partículas do próprio vento solar capturadas pelo campo gravitacional de Mercúrio.

A proximidade do Sol faz com que as temperaturas máximas à superfície de Mercúrio sejam da ordem dos 420ºC, mas as mínimas, à noite e nas regiões polares, podem atingir os -180ºC. Por este motivo, pensa-se que possa existir gelo de água nas crateras polares mais profundas.

As inúmeras interrogações que ainda se levantam sobre Mercúrio fazem com que ele seja um alvo prioritário da investigação espacial. Em 2004 partirá para Mercúrio a sonda MESSENGER, da NASA, e em 2009 a missão BepiColombo, da ESA, que deverá ser composta de dois satélites, um para cartografia em várias bandas espectrais e outro só para estudar o campo magnético, e uma sonda que pousará na superfície.

Figura 4 – Note-se, no canto NE, a cratera de duplo anel, típica de Mercúrio. O anel exterior tem 170 km de diâmetro. NASA.

Figura 5 – Fotomosaico de imagens Mariner 10, colorido artificialmente. As manchas mais claras correspondem a áreas onde não foram obtidas imagens. NASA.

Mercúrio

Dados Astronómicos

Orbita

Sol

Distância média ao Sol (UA)

0.38710

Excentricidade orbital

0.20563

Período sideral (dias)

87.969

Inclinação orbital

7.004º

Velocidade orbital média (km/s)

47.87

Período de rotação (dias)

58.646

Inclinação do eixo de rotação

0.01º

Magnitude visual máxima

-1.9

Número de Satélites

0

Dados Físicos

Raio equatorial (km)

2439.7

Massa (kg)

0.3302 X 1024

Volume (km3)

6.083 X 1010

Densidade média (g/cm3)

5.427

Gravidade à superfície no equador (m/s2)

0.37

Velocidade de escape equatorial (km/s)

4.25

Temperatura média à superfície (K)

~90 – 740

Albedo normal

0.106

Momento magnético dipolar (Gauss R3)

0.0033

Pressão atmosférica à superfície (bar)

~10-15

Composição da atmosfera

He, Na, O2, H2

Dados Históricos

Descobridor

-

Data

-

Missões espaciais

Mariner 10, Messenger (2004), BepiColombo (2009)