Meteoritos

Hoje temos um conhecimento profundo sobre a composição, a origem e os processos sofridos pelas rochas que compõem o nosso Planeta. Temos ainda um razoável conhecimento em primeira mão sobre as rochas lunares, a partir dos 382 kg de amostras colhidas pelos astronautas do programa Apolo.

E dos outros corpos do Sistema Solar?

Há análises químicas obtidas directamente nas superfícies de Vénus e de Marte pelas sondas robóticas que lá pousaram, mas estas análises não são controladas por análises petrográficas (análise microscópica dos minerais e das suas relações geométricas), que não se podem fazer remotamente.

Mas também temos outra ajuda preciosa para conhecer a geologia extraterrestre: os meteoritos.

As “estrelas cadentes” que se podem ver quase todas as noites e são particularmente numerosas em algumas épocas do ano, são meteoros: pedaços de asteróides e de outros corpos que atingem altíssimas temperaturas pelo atrito que sofrem ao atravessar a atmosfera, de tal modo que a maioria se vaporiza antes de atingir o solo. Se um meteoro tem dimensão suficiente para sobreviver à travessia da atmosfera, atinge a superfície terrestre e pode ser encontrado e estudado: é um meteorito. A terminação “ito”, em português, significa “rocha”, como em granito – rocha granular – tal como a terminação “ite”, como em volframite, significa “mineral”. Assim, um meteorito é uma rocha do céu.

E temos muito material para estudar. Crê-se que todos os dias a nossa atmosfera é atravessada por mais de cem toneladas de meteoros, embora a maioria se vaporize. Em todo o caso, neste momento já se conhecem e estão catalogados meteoritos num total de cerca de 500 toneladas.

É possível classificar os meteoritos em várias categorias segundo a sua textura e a sua composição química e mineralógica. As mais importantes são:

    1. Condritos. São os mais comuns (cerca de 82% do total de meteoritos). Meteoritos líticos (de composição semelhante a rochas terrestres), caracterizam-se por terem côndrulos: pequenas esferas (cerca de 1mm) de minerais fundidos (Figura 1).

        1.1. Condritos comuns (Figura 2), 95% dos condritos.

        1.2. Condritos carbonáceos (Figura 3). Caracterizam-se por terem carbono – o elemento mais essencial para a vida – na sua composição.

    2. Acondritos. São também meteoritos líticos, tal como os condritos, mas não apresentam côndrulos. Constituem cerca de 8 % dos meteoritos e são, talvez, os mais interessantes para a ciência planetária pelas suas supostas origens.

        2.1. Tipo HED (Howarditos, Eucritos, Diogenitos), supõe-se provirem do asteróide 4 Vesta, do solo (H – Figura 4), da crosta basáltica (E – Figura 5) ou de maiores profundidades (D – Figura 6).

        2.2. Tipo SNC (Shergottitos, Nakhlitos, Chassignitos), supõe-se provirem de Marte, basaltos (S – Figura 7), peridotitos (N – Figura 8) e dunitos (C – Figura 9). O meteorito ALH84001 (Figura 10), onde se pensou encontrar fósseis de bactérias (hipótese actualmente posta em dúvida – Figura 11) era um acondrito de tipo SNC.

        2.3. Lunares (Figura 12), que, como o seu nome indica serão provenientes da lua.

        2.4. Outros tipos, geralmente associados a vários tipos de asteróides.

    3. Sideritos (Figura 13). Constituídos por ligas cristalinas de ferro e níquel, são cerca de 5% dos meteoritos. Caracterizam-se pelas estruturas de Widmanstatten (Figura 14). A sua composição deve assemelhar-se à do núcleo terrestre.

    4. Siderólitos. (Figura 15). São misturas de ligas Fe-Ni e materiais líticos. Raros (cerca de 1% do total), pensa-se que a sua composição deve ser semelhante à da zona de transição núcleo/manto na Terra.

A queda de meteoritos é a responsável pelo craterismo que modela a superfície de Mercúrio, da Lua, de Marte, mas também da Terra e dos planetas com atmosferas Figura 16). Neste caso, só os maiores atingem a superfície, com energias da ordem das megatoneladas de TNT, pensando-se que possam ter sido responsáveis pelas grandes extinções faunísticas dos finais dos períodos Pérmico e Cretácico.

Figura 11.1 – Côndrulos. O maior tem 1 cm de diâmetro.

Figura 11.2 – Condrito. O cubo tem 1 cm de aresta.

Figura 11.3 – Condrito carbonáceo. Quadrícula com 1mm.

Figura 11.4 – Howardito.

Figura 11.5 – Eucrito.

Figura 11.6 – Diogenito.

Figura 11.7 – Lâmina do meteorito Shergotty original.

Figura 11.8 – O meteorito Nakhla original.

Figura 11.9 – O meteorito Chassigny original.

Figura 11.10 – ALH84001, um meteorito SNC, onde se pensou encontrar vestígios de vida (vd. Figura 11.11).

Figura 11.11 – Ultramicrografia de varrimento de estruturas aparentemente biogénicas no meteorito ALH84001. NASA.

Figura 11.12 – Meteorito de origem lunar, NWA032-10.

Figura 11.13 – Siderito.

Figura 11.14 – Estruturas de Widmanstatten num siderito.

Figura 11.15 – Siderólito.

Todas as imagens anteriores de The Meteorite Market: http://www.meteoritemarket.com

Figura 11.16 – Cratera do Meteoro – Arizona. Com 1200 m de diâmetro e 200 m de profundidade, pensa-se que seja o resultado do impacto, há 50 000 anos de um meteorito com 30 a 50 m de diâmetro, que teria libertado uma energia da ordem de 6 a 10 megatoneladas de TNT. USGS.