Europa

Europa é a segunda das luas galileanas e também tem características que a tornam um planeta único no Sistema Solar.

Aquilo que chamou primeiro a atenção dos astrónomos foi o altíssimo albedo, da mesma ordem que o de Vénus. Por esse motivo, pensou-se muito tempo que também Europa estaria coberto de nuvens. Só em 1979, com as primeiras imagens de alta resolução obtidas pela missão Voyager, se verificou que era a superfície planetária coberta de gelo, muito lisa e jovem, a responsável pela alta reflectividade (Figura 14.1).

Figura 1 – Europa: a grande cratera no quadrante SE é Pwill. Imagem Voyager.

Europa tem características que o assemelham quer a Io quer a Calisto. Também a superfície de Calisto aparenta ser coberta de gelo, embora menos puro que no caso de Europa. Por outro lado, tal como Io, Europa é um planeta geologicamente desenvolvido, com uma estrutura interna bem definida (Figura 14.2).

Figura 2 – Modelo da estrutura interna de Europa. C. Hamilton.

Assim, a uma crosta fina de gelo (talvez com uma dezena de quilómetros de espessura), seguir-se-á uma camada profunda (as estimativas variam entre 50 km e 200 km) que parece hoje dever ser um verdadeiro oceano de água líquida, hipótese que foi confirmada pelas medidas gravimétricas e magnetométricas da missão Galileo.

Este enorme oceano será o responsável pelo campo magnético de Europa, e tem levantado grande entusiasmo junto da comunidade dos exobiólogos como um dos locais no Sistema Solar onde será mais possível encontrar vida. Pelo menos, seria o único local, para além da Terra, onde se encontrariam grandes volumes de água líquida.

A esse oceano seguir-se-á um manto rochoso, silicatado, talvez em estado plástico ou, pelo menos, com bolsas de fusão parcial. É possível que exista vulcanismo activo à superfície desta camada rochosa. Esse vulcanismo contribuiria para manter o oceano subsuperficial no estado líquido e é mais um factor de reforço da possibilidade de existirem condições para uma vida rudimentar, do mesmo tipo das bactérias extremófilas que foram encontradas na Terra, sob grandes espessuras de gelo, na Antárctida.

O núcleo, com cerca de um terço do raio planetário, deverá ser metálico (ferro e níquel), contribuindo também para a geração do campo magnético de Europa.

O campo magnético de Europa é fraco – cerca de um quarto do de Ganimedes – mas, ao contrário dos campo de outros satélites, varia periodicamente.

As imagens de alta resolução espacial e espectral da missão Galileo mostraram outros pontos de interesse na superfície de Europa.

Em primeiro lugar, esta superfície é muito jovem: só se encontraram no planeta três crateras com mais de 5 km de diâmetro (Figura 14.1) e há muito poucos elementos de relevo com mais que algumas centenas de metros de altura. O gelo tende a reconstituir a superfície original, apagando os traços de impactos.

Também o próprio aspecto da superfície gelada é invulgar.

Figura 3 – Europa fotografado pela Galileo no violeta, verde e infravermelho próximo.

Se, por um lado, lembra os mares polares terrestres, com a sua rede de fracturas (Figura 3), por outro, não só estas fracturas podem ser muito mais extensas que na Terra, mas também apresentam variações composicionais transversais. As maiores fracturas podem chegar a ter 20 km de largura, com bordos difusos e uma banda central mais clara (Figura 4).

Figura 4 – Pormenor de uma grande fractura. Imagem Galileo.

Pensa-se que nesta zona central pode haver fenómenos de “hidrovulcanismo” em que água líquida, mais quente, ascende à superfície pela fractura na crosta gelada, do mesmo modo que, na Terra (ou em Io), um magma ascende através da crosta sólida formando vulcões. A semelhança desta “tectónica gelada” com a tectónica terrestre vai ao ponto de haver enrugamentos – dobras – na crosta de gelo (Figura 5).

Figura 5 – Fotomosaicos da mesma zona, com diferentes tratamentos. À esquerda, para pôr em evidência estruturas lineares (as fracturas). À direita para pôr em evidência estruturas tridimensionais (dobras na superfície gelada). Galileo.

Observações recentes do Telescópio Espacial Hubble mostraram que Europa tem uma atmosfera de oxigénio, finíssima (0,000 000 000 01 da pressão atmosférica normal na Terra). Ao contrário do que sucede na Terra esse oxigénio não deve ser de origem biológica mas sim o resultado da dissociação da água superficial pelo intenso bombardeamento das partículas carregadas da ionosfera de Júpiter.

Europa

Dados Astronómicos

Orbita

Júpiter

Distância média a Júpiter (km)

670 900

Excentricidade orbital

0.0002

Período sideral (dias)

3.55112

Inclinação orbital

0.04º

Velocidade orbital média (km/s)

13.74

Período de rotação (dias)

3.55112

Inclinação do eixo de rotação

Magnitude visual máxima

5.29

Número de Satélites

0

Dados Físicos

Raio equatorial (km)

1560.8

Massa (kg)

0.48 X 1023

Volume (km3)

1.593 X 1010

Densidade média (g/cm3)

3.010

Gravidade à superfície no equador (m/s2)

1.315

Velocidade de escape equatorial (km/s)

2.02

Temperatura média à superfície (K)

110

Albedo normal

0.64

Momento magnético dipolar (Gauss R3)

~0.002

Pressão atmosférica à superfície (mbar)

~10-8

Composição da atmosfera

O2, ...

Dados Históricos

Descobridor

Galileu

Data

1610

Missões espaciais

Pioneer 10,11; Voyager 1,2; Ulysses; Galileo