Calisto

Calisto é o quarto satélite galileano de Júpiter e, de todos, o menos bem conhecido. Embora seja quase do tamanho de Mercúrio tem apenas cerca de um terço da sua massa.

A superfície de Calisto é das mais antigas que se conhecem no Sistema Solar: é toda muito craterizada e assemelha-se às Terras Altas de Marte e da Lua, o que permite estimar a idade da sua superfície em mais de 4000 Ma.

Até à missão Galileo pensava-se que Calisto não tinha estrutura interna, consistindo numa mistura mais ou menos homogénea de gelo e rochas. Os dados da Galileo, em particular a gravimetria e a magnetometria, permitem-nos pensar hoje de maneira diferente (Figura 1).

Figura 1 – Modelo do interior de Calisto. C. Hamilton.

Assim, a crosta do planeta será composta por uma camada de gelo com cerca de 200 km de espessura, possivelmente flutuando sobre um oceano, “salgado”, com cerca de 10 km de profundidade. Abaixo deste oceano seguir-se-á uma mistura de gelo, rocha silicatada e metais (ferro? níquel?), que se diferenciará por gravidade com a profundidade, mas de forma contínua, com aumento do teor de rocha e diminuição do teor de gelo.

A superfície de Calisto também apresenta peculiaridades. Ao contrário de Io ou Ganimedes não tem montanhas. A maior parte do relevo está relacionado com o craterismo; tem algumas enormes crateras como Valhalla (Figura 2), a maior, com uma região central, de maior albedo, com 600 km de diâmetro, mas cujos anéis se estendem até um diâmetro total de 3000 km.

Figura 2 – Vista da região da bacia Valhalla, nos infravermelhos. Galileo.

Estes anéis, profundamente fracturados pela longa história de impactos sobre a superfície planetária, assemelham-se, por vezes, a cadeias de montanhas (Figura 3).

Figura 3 – A superfície de Calisto nas vizinhanças de Valhalla. Galileo.

Por outro lado, também apresenta escarpas, algumas muito extensas (Figura 4). Pensa-se que podem ser cadeias de crateras contemporâneas, formadas por um impacto múltiplo “em rosário” como o do cometa Shoemaker-Levy 9 sobre Júpiter.

Figura 4 – Escarpa. Galileo.

Calisto

Dados Astronómicos

Orbita

Júpiter

Distância média a Júpiter (km)

1 883 000

Excentricidade orbital

0.0074

Período sideral (dias)

16.6890

Inclinação orbital

0.51º

Velocidade orbital média (km/s)

8.21

Período de rotação (dias)

16.6890

Inclinação do eixo de rotação

Magnitude visual máxima

5.65

Número de Satélites

0

Dados Físicos

Raio equatorial (km)

2410.3

Massa (kg)

1.0759 X 1023

Volume (km3)

5.865 X 1010

Densidade média (g/cm3)

1.830

Gravidade à superfície no equador (m/s2)

1.24

Velocidade de escape equatorial (km/s)

2.45

Temperatura à superfície (K)

~100-150

Albedo normal

0.20

Momento magnético dipolar (Gauss R3)

-

Pressão atmosférica à superfície (mbar)

<10-8

Composição da atmosfera

?

Dados Históricos

Descobridor

Galileu

Data

1610

Missões espaciais

Pioneer 10,11; Voyager 1,2; Ulysses; Galileo