Titã foi o primeiro satélite de Saturno a ser descoberto, por Huygens, em 1655.
A muitos títulos, Titã é um planeta notável. Até recentemente, pensava-se que seria o maior satélite do Sistema Solar – aliás, apesar da sua distância à Terra, é visível em instrumentos amadores. Só depois das imagens do Telescópio espacial Hubble se descobriu que a superfície exterior de Titã é, na verdade, uma densa atmosfera, com uma pressão à superfície uma vez e meia mais alta que a da Terra (1.5 bar). Mesmo assim, Titã é maior que Plutão e Mercúrio.
A atmosfera de Titã deve ser semelhante à da Terra primordial: composta essencialmente de azoto molecular (mais de 90%), com cerca de 6% de árgon, 3% de metano e traços de pelo menos uma dúzia de compostos orgânicos como o etano, o ácido cianídrico e o dióxido de carbono, e água. Dada a temperatura média à superfície da ordem dos 93 K (-180ºC) a água em Titã só pode existir no estado sólido.
Além disso, o planeta encontra-se coberto de nuvens que o ocultam da observação no espectro visível, um pouco como Vénus. Essas nuvens devem ser compostas principalmente de metano e etano e outros compostos orgânicos ainda não identificados que serão responsáveis pela sua coloração alaranjada (Figura 1).
Figura 1 – Titã no visível. Imagem Voyager.
As imagens obtidas pelo Hubble no infravermelho sugerem que Titã deve ter um grande “continente” (zona de maior albedo, mais elevada). Esse continente situa-se no hemisfério de Titã que está sempre mais afastado de Saturno, dado que o satélite tem uma rotação síncrona. O continente estaria rodeado por “mares” (zonas baixas, mais escuras). Alguns autores pensam que esses mares podem efectivamente ser líquidos – compostos de uma mistura de metano e etano que chovem constantemente das nuvens.
O grande interesse de Titã, nomeadamente o facto de poder servir de modelo para a Terra primordial, quando começou a aparecer a vida, levou a que se planeasse a missão Cassini/Huygens (Figura 2), em que o módulo Huygens, projectado e construído pela ESA, se destina a pousar na superfície de Titã.
Figura 2 - Cassini/Huygens. NASA/ESA.
Titã |
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Dados Astronómicos |
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Orbita |
Saturno |
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Distância média a Saturno (km) |
1 221 830 |
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Excentricidade orbital |
0.0292 |
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Período sideral (dias) |
15.94542 |
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Inclinação orbital |
0.33º |
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Velocidade orbital média (km/s) |
5.58 |
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Período de rotação (dias) |
15.94542 |
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Inclinação do eixo de rotação |
0 |
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Magnitude visual máxima |
8.28 |
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Número de Satélites |
0 |
Dados Físicos |
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Raio equatorial (km) |
2575 |
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Massa (kg) |
1.3455 X 1023 |
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Volume (km3) |
7.15 X 1010 |
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Densidade média (g/cm3) |
1.881 |
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Gravidade à superfície no equador (m/s2) |
1.35 |
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Velocidade de escape equatorial (km/s) |
2.65 |
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Temperatura média à superfície (K) |
93 |
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Albedo normal |
0.22 |
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Momento magnético dipolar (Gauss R3) |
- |
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Pressão atmosférica à superfície (mbar) |
1500 |
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Composição da atmosfera (%) |
N2(90), Ar(6), CH4(3) |
Dados Históricos |
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Descobridor |
C. Huygens |
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Data |
1655 |
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Missões espaciais |
Voyager 2, Galileo, Cassini/Huygens |