Tritão e os satélites de Neptuno

O maior satélite de Neptuno, Tritão, foi descoberto ainda no séc. XIX (em 1846) por Lassell, poucas semanas depois da descoberta de Neptuno. Em muitos aspectos, Tritão (Figura 1) é um planeta único.

Figura 1 – O hemisfério Sul de Tritão. Fotomosaico a partir de imagens Voyager 2.

Primeiro, pela sua órbita: é o único satélite maior do Sistema Solar que orbita o planeta-mãe em sentido retrógrado, o que implica que não pode ter sido formado por condensação a partir da mesma nebulosa primordial. Esta órbita tem como consequência que as interacções gravitacionais com Neptuno removem energia de Tritão, aproximando-o a pouco e pouco. Num futuro distante, uma de duas coisas poderá acontecer: ou Tritão cairá sobre Neptuno ou, antes disso acontecer, as forças gravitacionais destruí-lo-ão, transformando-o em mais uma série de satélites e anéis neptunianos.

Depois, pela temperatura: Tritão é o corpo mais frio do Sistema Solar (mesmo mais que Plutão e Caronte) – com -235ºC está apenas 38ºC acima do zero absoluto. Isto deve-se ao seu alto albedo (0.7), que faz com que a maior parte da pouca energia que recebe do Sol seja reflectida, ao contrário de Plutão, que é muito escuro. A inclinação do eixo de rotação, de 157º em relação ao eixo de Neptuno, faz com que a orientação de Tritão em relação ao Sol seja de modo a virar alternadamente as regiões polares e as equatoriais para o Sol.

A densidade de Tritão também é invulgar para esta zona do espaço: com 2.05 g/cm3 é o corpo importante mais denso para lá da órbita de Júpiter (depois de Marte, apenas Io e Europa são mais densos). Esta densidade comparativamente alta implica que Tritão deverá ser composto por cerca de 75% de rocha.

A Voyager 2 verificou que Tritão possui uma ténue atmosfera, da ordem de 0.02 mbar, composta essencialmente de azoto e algum metano, sublimados dos gelos superficiais (Figura 2).

Figura 2 – Nuvens ténues na atmosfera de Tritão. Imagem Voyager 2.

A superfície de Tritão é pouco craterizada, observando-se algumas bacias baixas e pequenas crateras (Figura 3). Os ciclos de gelo e degelo apagam os vestígios de impactos.

Figura 3 – A superfície de Tritão. Imagem Voyager 2.

Mas a característica mais estranha de Tritão é o vulcanismo. Só existe vulcanismo activo, confirmado, em três planetas do Sistema Solar: a Terra, Io e Tritão, mas o vulcanismo de Tritão é dificilmente comparável com os outros dois, dado que aqui a “crosta” de gelo sólido é atravessada por “lavas” de uma mistura de gelos pastosos, azoto e metano líquidos e poeiras líticas, mistura que se vaporiza à baixa pressão superficial produzindo plumas por vezes com mais de 100 km de altura (Figura 4).

Figura 4 – Plumas vulcânicas no hemisfério Sul de Tritão. Imagem Voyager 2.

Tritão não é o único satélite de Neptuno (Tabela 1).

Tabela 1 – Satélites de Neptuno

Satélite

Distância (´1000 km)

Raio (km)

Descobridor

Data

Náiade

48

29

Voyager 2

1989

Talassa

50

40

Voyager 2

1989

Despina

53

74

Voyager 2

1989

Galateia

62

79

Voyager 2

1989

Larissa

74

96

Voyager 2

1989

Proteu

118

209

Voyager 2

1989

Tritão

35

1350

Lassell

1846

Nereide

5489

170

Kuiper

1949

Pensa-se que as outras pequenas luas poderão ser na sua maioria objectos capturados à Cintura de Kuiper pelo campo gravitacional de Neptuno. Isto é mais evidente para Nereide, cuja órbita é a mais excêntrica de qualquer planeta ou satélite do Sistema Solar: a sua distância a Neptuno varia entre os 1 353 600 e os 9 623 700 km.

Tritão

Dados Astronómicos

Orbita

Neptuno

Distância média a Neptuno (km)

354 760

Excentricidade orbital

0.000016

Período sideral (dias)

-5.87685

Inclinação orbital

157.345º

Velocidade orbital média (km/s)

4.39

Período de rotação (dias)

-5.87685

Inclinação do eixo de rotação

0

Magnitude visual máxima

13.47

Número de Satélites

0

Dados Físicos

Raio equatorial (km)

1353.4

Massa (kg)

0.214 X 1023

Volume (km3)

1.04 X 1010

Densidade média (g/cm3)

2.050

Gravidade à superfície no equador (m/s2)

0.78

Velocidade de escape equatorial (km/s)

1.45

Temperatura média à superfície (K)

38

Albedo normal

0.7

Momento magnético dipolar (Gauss R3)

-

Pressão atmosférica à superfície (mbar)

0.015

Composição da atmosfera

N2, CH4

Dados Históricos

Descobridor

W. Lassell

Data

1846

Missões espaciais

Voyager 2