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Resumo

História e Verdade(s), vol. 23

 

MARÇAL MENEZES PAREDES
Nacionalidade brasileira e projecto moderno: entre a incorporação da diferença e a introjeção da culpa.

Ocupa-se o presente trabalho da perplexidade manifestada pelo projecto da modernidade - entendida enquanto processo fundado na crença no potencial da razão emancipatória dos povos e no progresso da ciência - no momento de sua adequação ao Brasil. Para tanto, procuramos identificar esse fenómeno focando particularmente o caso de Euclides da Cunha, brasileiro escritor de Os Sertões , por considerá-lo expressão de toda a complexidade intelectual que a manifestação modernidade expressa no momento de seu contacto com o Brasil. E mais: por considerá-lo também, em virtude do modo tensional como nele se realiza o conhecimento, inicialmente do brasileiro sertanejo, autor de um discurso nuclear na busca de uma identidade nacional brasileira.
O que buscamos identificar é exactamente o nó crítico formado quando as pontas do tecido discursivo da nacionalidade encontram-se com a diferença. Mas, para além disso, trata-se de deixar claro a problemática da identidade colectiva manipulada à luz de um manancial teórico (moderno) que lhe demanda coesão e univocidade. Importará, então, reflectir acerca da relação complexa entre identidade e temporalidade, posto que (por buscar a perenidade de aspectos ditos "essenciais" de um povo) a identidade cola-se à idéia de uma temporalidade mítica. Nesse sentido, às expensas de uma certa idéia de preservação da essência de um "ser" colectivo através do tempo, buscamos deslocar o problema da identidade nacional por intermédio da experiência estética presente na obra euclidiana.

 

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Última alteração: Fevereiro de 2006
Coordenação: IHTI | Revisão: Maria do Rosário Azenha | Actualização: Manuel Vizeu | Fotos: Leonardo Opitz and Sérgio Azenha

 
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