Destaques

 
Resumo
Os Intelectuais e os Poderes, vol. 24

 

CARLOTA BOTO
O professor primário português como intelectual: "Eu ensino, logo existo".

O presente trabalho apresenta-se como uma reflexão histórica acerca do cariz intelectual impresso no ofício do professor primário. Formador de mentes, de almas e de corações, o professor primário lida diretamente com a transmissão - e talvez com a produção - de valores, de saberes, de normas de conduta prescritas. O professor primário forma o indivíduo para a civilidade e para o civismo. Sendo assim, ele situar-se-á, no campo da estruturação do moderno modelo escolar, como o ator privilegiado de fabricação de visões de mundo, que se deverão traduzir como consensos para o homem comum. O texto aqui exposto aborda, portanto, algumas representações acerca do lugar social ocupado pelo professor primário português, basicamente no período que abrange a segunda metade do século XIX e o primeiro decênio do século XX (imediatamente anterior à Proclamação da República em Portugal). Procurou-se tecer algumas considerações de ordem teórica e conceitual acerca da própria acepção de intelectual e a documentação recolhida traz à tona impasses e ambigüidades quanto à figura social do profissional encarregado de oferecer à infância as normas do ler, do escrever, do contar e do bom comportamento. Conclui-se que o professor primário é, assim, o veículo de propagação intelectual dos valores civilizatórios do Ocidente.

 

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Última alteração: Fevereiro de 2006
Coordenação: IHTI | Revisão: Maria do Rosário Azenha | Actualização: Manuel Vizeu | Fotos: Leonardo Opitz and Sérgio Azenha

 
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