| Tolerâncias, Intolerâncias,
vol. 25
JOÃO LUÍS LISBOA
Ler com quem e (com) quando (Os Camões).
Tal como outros textos, Os Lusíadas funcionam como herança, gradualmente transformados em referência para todos os que escrevem e lêem em Portugal, até que se torna um clássico. Este artigo aborda tensões, valores e tópicos da discussão de Camões ao longo de dois séculos e meio. Cada leitura faz sentido no seu tempo, não como texto completamente novo, mas enquanto possibilidade de reconstrução da relação entre passado e presente. São sublinhados aqui dois problemas: o primeiro é que um livro deste tipo - um clássico - não é um texto consensual; gera conflito e, logo, exclusão. O segundo problema é saber que texto "permanece" através das discussões e dos tempos. Estes problemas são confluentes ao longo do processo de apropriação do que é entendido como herança comum.
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