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| Construção do arrojado
projecto de cúpula, para a iluninação
interior da Faculdade de Letras, idealizada pelo Arquitecto
Silva Pinto. (Fotografia gentilmente cedida pela neta
- Maria Antónia Silva Pinto Simões Lima).
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ORIGENS DO INSTITUTO DE LÍNGUA
E LITERATURA PORTUGUESAS

Portão de ferro forjado desenhado para a Faculdade
de Letras projectada pelo Arquitecto Silva Pinto. (Fotografia
gentilmente cedida pela neta - Maria Antónia Silva
Pinto Simões Lima). |
A Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra foi criada
em 1911,
depois da implantação da República, com
uma parte do corpo docente proveniente da Faculdade de Teologia.
Logo começou a ser planeada a construção
de um edifício novo, cujo projecto ficou a cargo do
arquitecto Augusto de Carvalho da Silva Pinto, que ocuparia
o lugar do Teatro Académico, espaço onde se
situa hoje a Biblioteca Geral da Universidade. Porém,
as obras, que começaram em 1913, arrastaram-se até
1932 por dificuldades económicas, obrigando a várias
alterações que modificaram o projecto inicial
de “grande sobriedade, elegância e harmonia” ,
tendo sido acrescentado mais um piso relativamente ao projecto
inicial. Logo nas plantas desenhadas para a construção
do edifício foi delineada a existência do Laboratório
de Fonética Experimental
— que só viria a ser definitivamente instalado
em Janeiro de 1935 ,
tendo sido dirigido, durante largos anos, pelo Dr. Armando
Soeiro Moreira de Lacerda.
Paulatinamente, foram sendo criados espaços específicos
na área da “Secção de Philologia
Romanica”,
sob a forma de Salas correspondendo às línguas
que faziam parte das disciplinas desta Secção.
Às ditas “Salas Românicas” vem juntar-se,
em 1925, a Sala Brasil
e, no mesmo ano, são inaugurados os Cursos de Férias
(que assim ganharam lugar entre os mais antigos da Europa),
numa iniciativa inovadora que ainda hoje tem continuidade.
A instalação das diferentes salas tinha como
objectivo futuro o estabelecimento de Institutos, cuja criação
era sancionada pelo Decreto nº 18 003 de 25 de Fevereiro
de 1930,
Art. 51º, que faz depender a criação dos
Institutos de investigação da aprovação
pelo Senado, sob proposta do Conselho da Faculdade, prevendo
a nomeação dos seus directores por este Conselho .
É neste quadro legislativo que surge o Instituto Francês,
em 1932,
o Instituto Brasileiro em 1940-41 e em 1952-53 os restantes
Institutos desta secção: o Instituto de Estudos
Espanhóis, o Instituto de Estudos Italianos, o Instituto
de Estudos Portugueses e o Instituto de Estudos Românicos
Carolina Michaëlis de Vasconcelos. O Instituto presta
assim homenagem à primeira Professora da Faculdade
de Letras de Coimbra, incorporando o acervo de obras da ilustre
investigadora relativas à área de Românicas.
Este instituto era constituído pela Secção
de Filologia e a Secção de Literatura, tendo
como Directores o Doutor Paiva Boléo e o Doutor Álvaro
da Costa Pimpão.
Para além da revista Biblos, Revista da Faculdade
de Letras, publicada a partir de 1927, começa a sentir-se
necessidade de criar revistas mais específicas e, em
1947, por «feliz iniciativa» do Doutor Manuel
de Paiva Boléo, surge como publicação
periódica do grupo de Românicas a Revista Portuguesa
de Filologia — que trouxe ao nosso Instituto um prodigioso
intercâmbio e uma maior abertura à comunidade
científica mundial, abrangendo as próprias Universidades
da Europa de Leste, e lhe valeu uma contínua recepção
(como oferta ou em permuta) de praticamente todas as espécies
de periódicos desta área que, até aos
anos 60, integraram o património do então Instituto
de Estudos Românicos.
Outras relevantes iniciativas teve o Doutor Paiva Boléo,
não sendo a menor delas o lançamento do Inquérito
Linguístico, que viria a ser conhecido pela sigla ILB
que incorpora o nome deste Professor e se encontra arquivado
(mas à consulta dos investigadores que o desejem) numa
das dependências do Instituto de Língua e Literatura
Portuguesas.
Da “Secção de Literatura”, além
dos primeiros esforços para a catalogação
do espólio histórico-literário de D.
Carolina Michaëlis de Vasconcelos, surge, em 1962, a
Revista de História Literária de Portugal, dirigida
pelo Doutor Álvaro da Costa Pimpão, permitindo
a divulgação dos trabalhos desenvolvidos na
área da Literatura, nomeadamente pelos seus colaboradores
Doutora Ofélia Paiva Monteiro, Doutor Aníbal
Pinto de Castro, Doutor Vítor de Aguiar e Silva e Doutora
Aida Silva Dias. Desta revista sairão ainda mais três
volumes: o Vol. II, em 1967, o Vol. III, em 1969-1972 e o
Vol. IV em 1972-1975.
Finalmente, em
sessão de 26 de Maio de 1983, o Conselho Científico
da Faculdade, sob proposta da Comissão Científica
de Filologia Românica, decidiu converter o I.E.R. em
INSTITUTO DE LíNGUA E LITERATURA PORTUGUESAS - D. CAROLINA
MICHAËLIS DE VASCONCELOS. A Direcção do
I.L.L.P. passará desde então a ser assegurada
por um docente doutorado, alternadamente da área de
Literatura e da área de Linguística.
Passados cinco anos, já o ILLP tinha 23 membros: 20
docentes e três investigadores.
Presentemente, o nosso Instituto é composto por mais
de 40 docentes e uma Investigadora, o que faz dele o maior
Instituto da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.
(Pesquisa: Maria João
Simões)
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