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english [Túnica de deusa]
 

Zhima para queimar

 

Loja Ying Kee (Cant.), Aberdeen, Hong Kong. Data indeterminada. Tiragem moderna e descuidada (1994)

foto:
Óscar Almeida, 2003
 

O lótus é a única referência inequivocamente chinesa nesta composição profusamente colorida, uma genuína criação popular capaz de exercer, porventura, um fascínio "universal". Apesar de ser uma peça excepcional no seu contexto, pelas dimensões, pelo local onde é produzida (a duzentos metros da cosmopolita marina de Aberdeen, em Hong Kong) e pela data dos finais do século 20, não deixa de provar que a arte popular é capaz de resistir a quase tudo, se continuarem a manter-se as necessidades que a criaram. Neste caso, a peça serve indiferentemente para todos os cultos de divindades femininas dos pescadores das etnias Hoklo e Shuishangren, também conhecidos pelo nome depreciativo de Danjia (Tanka, Cant.), o povo dos barcos. Desinseridos da sociedade urbana que os rodeia, a sua religiosidade ancestral permanece forte como no passado. Da importância que as túnicas ou cabaias rituais de papel tinham nas cerimónias do culto dos Antepassados em Hong Kong diz bem o facto dessas cerimónias ainda hoje se chamarem shaoyi, "queima de vestidos". Notar as diferenças de tonalidade entre o corpo e as mangas, impressos separadamente.

 

3 conjuntos de placas separadas 89 x 53, 42 x 22, 43 x 22 cm (dims. totais da peça 105 x 91 cm aprox.)

   
 

 

   
Página actualizada em 07/06/03 .